Sábado, Março 05, 2005
ENTREVISTA A PAULO FURTADO:
Paulo Furtado é um dos rostos da actual vaga musical nacional: é a face visível dos Wraygunn e é ainda o one-man band, The Legendary Tigerman. Após o êxito dos já extintos Tédio Boys, Paulo Furtado é actualmente um dos músicos mais interessantes e mais requisitados do panorama musical português.
Paralelamente, Paulo Furtado apresenta ainda uma costela cinéfica, menos visível, da qual quer fazer uso ao tirar o respectivo curso de cinema. É sob esta faceta que o Royale With Cheese tem a honra e o prazer de o entrevistar.
Royale With Cheese – Paulo Furtado, li recentemente, que um dos seus planos para o futuro próximo é de enverdar pelo curso de cinema. Esta ideia é para seguir em frente? E até aonde?
Paulo Furtado - Hum....é uma ideia que infelizmente tem sido ciclicamente adiada... por falta de tempo devido à agenda sobrecarregada da música... neste momento o único tipo de formação quec estou a ter é uma espécie de curso intensivo pratico pela mão do Rodrigo Areias... e a experimentação, claro está. O videoclip da remistura dos Bullet para o
Love Train (incluído no livro/cd
In cold blood) , filmado em super8, é a minha primeria avantura pública. Mas é um objectivo que mais cedo ou mais tarde será concretizado, sinto que existe uma parte criativa minha que se encontra por explorar e mostrar.
RWC – Durante a digressão de Naked Blues, o seu álbum de estreia enquanto The Legendary Tigerman, apresentava-se em palco, tendo como pano de fundo uma tela, onde am passando alguns filmes e imagens. Quer comentar isso?
PF - A Imagem, neste caso a fotografia e o cinema, sempre tiveram uma importância primordial neste projecto. Os filmes foram seleccionados por mim e pelo André Cepeda (fotógrafo/realizador) entre o material registado para o Naked blues e bobines adquiridas mais ou menos aleatoriamente, por vezes pedaços de vidas alheias a que davamos uma nova narrativa. É a grande magia do super8, o facto ser “cinema” e ao mesmo tempo ter sido (e ainda ser, embora de um modo mais restrito) um meio de documentação familiar e económico da vida quotidiana. Como os blues.
RWC – Actualmente, a indústria discográfica aposta cada vez mais na sua promoção visual. Isso reflecte-se nos telediscos cada vez mais elaborados. Acha que o teledisco pode ser um bom meio de passar a mensagem da música em causa?
PF - Claro que sim. No caso de LTM [Legendary Tiger Man], visto que a música é crua, espontânea e pouco produzida, o mesmo se passa com os videoclips e com o suporte em que são registados. Quando há menos variáveis no campo da produção, torna-se necessário explorar todos os (poucos...) meios disponíveis ao máximo.
RWC – Recentemente, participou juntamente com o Zé Pedro [guitarrista dos Xutos & Pontapés] no Festival de Curtas de Vila do Conde, onde criaram ao vivo, a banda-sonora do filme
Paleface, do Buster Keaton. Como foi essa experiência?
PF - Por um lado foi muito bom, porque o mateiral sobre que estávamos a trabalhar era excelente, por outro foi complicado porque ambos tivemos muito pouco tempo para trabalhar juntos. Acho que poderíamos ter feito melhor.
RWC – Quais são as influências cinéfilas que menciona como referências? Até que que ponto a música influencia/ou essas escolhas?
PF - Eu vejo a música no teatro e no cinema como meios de ampliar as emoções ou imagens que o realizador pretende transmitir. Para mim o melhor filme de sempre é o
Freaks, do Tod Browning. Até ao momento não vi nada que abordasse de um modo tão real a condição humana, com tudo o que tem de belo e feio.
RWC – Sendo músico profissional, como vê a banda-sonora de um filme? Ou consegue abstrair-se, vendo o filme como um todo e só no fim analisa-lo por partes?
PF - Julgo que há muitas abordagens diferentes. Em geral acho que a banda sonora ideal é aquela que não consegues dissociar da imagem , que só consegues analisar numa segunda tentativa. Ou exactamente o oposto!! Como nos filmes de Hitchcock em oposição aos de Tarantino.....
RWC – Aceitaria compor a banda-sonora para um filme português?
PF - Já aceitei. “O Rei”, de Rodrigo Areias.
RWC – Após o reaparecimento dos musicais, graças a filmes como Moulin Rouge ou Chicago, parece ter havido um reacender de interesse por parte de Hollywood, na realização de biopics, como é exemplo o recentre
De-Lovely, sobre a vida de Cole Porter, ou
Ray, acerca de Ray Charles. Dizem as crónicas que mais se avizinham: Kurt Cobain, Jeff Buckley, Janis Joplin...
Acha que ainda falta um músico sobre o qual devam realizar um filme ou isso já foi feito?
PF - Acho que há sempre mais um músico, um pintor, um artista, um bandido, um herói cuja vida merece um filme. E todos temos um pouco de cada.
RWC – É também sabido o seu fascínio – e recorro aqui ao seu trabalho enquanto músico – pelo simbolismo e folclore em torno da luta do Bem contra o Mal e tudo o que isto comporta, do ponto de vista bíblico e pagão. Isso fascina-o também no cinema, há algum ou alguns filmes que queira apontar?
PF - The Wild One.
RWC – Antes de terminar, apenas um conjunto de perguntas de resposta directa.
- ‘O’ filme da sua vida?
Freaks, Tod Browning. Mauvais sang, leos carax
- Um actor? E uma actriz? Cristopher Walken, Michelle Piccoli, Catherine Deneuve
- Um compositor e uma banda-sonora?Henri Mancini,
Breakfast At Tiffany's- Uma cena marcante? Tantas.....
- Um teledisco de referência? Walk this way, Run DMC/Aerosmith
RWC - Obrigado pelo tempo dispendido. Felicidades e boa-sorte para o futuro e para os seus projectos. Esperamos que possa visitar sempre que possa o Royale With Cheese.
PF - Obrigado eu. abraço
Posted by: dermot @
1:26 AM
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