Sábado, Fevereiro 26, 2005
OS SUPER-HERÓIS:
Título:
The IncrediblesRealizador: Brad Bird
Ano: 2004

Aclamado pela crítica muito antes mesmo da própria estreia,
Os Super-Heróis estreava ainda nas salas de todo o mundo com a dura sina de fazer esquecer o grande sucesso de animação desse mesmo ano,
Shrek 2. O veredicto? Sucesso total!
Para além de corresponder a todas as expectativas, tinha ainda uma vantagem perante
Shrek 2 - não necessitava de referências a outros filmes de Hollywood. É completamente original, comicamente falando, apesar de universos, como o de
Bond ou o de
Os Vingadores, não serem totalmente estranhos.
Se numa análise superficial,
Os Super-Heróis parecia ser apenas uma extensão do clichet de super-heróis, pegando num grupo com semelhanças ao
Quarteto Fantástico, cujo maior fã se torna no seu némesis, após o visionamento do filme, toda essa opinião é desfeita num turbilhão de novas ideias, originais e criativas. O filme trata o lado que nunca vemos nos super-heróis (talvez a única excepção seja o
Homem-Aranha), o lado humano.
Os Super-Heróis desconstrói o clichet dos super-heróis num disfuncionalismo familiar delicioso e divertido.
E mesmo assim ainda nutre de um respeito absoluto por esse universo, nomeadamente o dos anos 60, tal como
Sky Captain E O Mundo De Amanhã nutre pelo cinema clássico de acção.
A história roda à volta do universo específico da família de heróis, o Sr. Incrível (voz de Craig T. Nelson) e Elastigirl (voz de Holly Hunter), dois super-heróis casados e com três filhos, que são realojados numa qualquer parte dos Estados Unidos depois de os super-heróis terem sido proibidos na América, devido ao rasto de destruição e processos jurídicos que deixavam atrás de si, durante os salvamentos. No entanto, Bob Parr, vulgo Sr. Incrível, nunca se habituou a essa vida de cidadão normal e o quotidiano de lar/escritório, escritório/lar, deixou-o à beira de um ataque de nervos, por um pouco de acção. Uma ansiedade incontrolável que o leva a cair nas mãos de Syndrome (voz de Jason Lee), um vilão sem escrúpulos que a família Parr vai ter de enfrentar.
Os Super-Heróis lembra o ambiente audacioso da arquitectura de
James Bond e tem a sensualidade da banda-desenhada dos anos 50, com destaque para a figura do
Super-Homem, quando ainda não haviam delíros tecnológicos surreais. E é fabulosa a referência final ao próprio Quarteto Fantástico, quando recriam a capa do seu primeiro livro.
Tecnicamente pereito, tal como a banda-sonora, o filme divide-se em duas partes: a primeira, onde apresenta os personagens e a história, e segunda onde se torna aquilo que Robert Rodriguez gostava que
Spy Kids tivesse sido. E por entre isto tudo, não dispensa a mensagem moral, de que somos todos iguais, sem olhar aos nossos defeitos (ou neste caso, os nossos dons).
A sua realização é um portento que tanto nos coloca no mais duro filme de guerra, no meio de uma selva esquecida por Deus, ao lado de
John Rambo, coomo nos enfia no suspense de cortar à faca do mundo da espionagem de
O Santo.
Os Super-Heróis é um fantástico filme, quiçá a melhor animação desta nova vaga. É entertenimento puro, são doses maciças de fellgood movie, diversão a rodos, acção qb e injecções de imaginação delirante e criativa que nos faz recordar porque tanto gostamos (reparem que aqui, a forma verbal está no presente do indicativo) de super-heróis.
Um Royale With Cheese a antecipar uma noite de Óscares de consagração.
Posted by: dermot @
12:53 PM
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