Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
O QUINTO IMPÉRIO - ONTEM COMO HOJE:
Título:
O Quinto Império - Ontem Como Hoje
Realizador: Manoel de Oliveira
Ano: 2004
Do alto dos seus 97 anos de vida e da sua carreira enorme, o mestre Manoel de Oliveira é um dos mais respeitados realizadores internacionais, fiél a uma técnica quase arcaica, em que filma com mestria as suas histórias de utopia.
Manoel de Oliveira quase que parou no tempo; este passa por si, mas ele parece não envelhecer. E o mesmo se passa com o seu cinema. Por isso, não esperem que ele mude neste seu último filme.
Em
O Quinto Império - Ontem Como Hoje estamos perante mais um filme de autor, de registo teatral, de câmara fixa, planos arrastados e diálogos extensos.
Manoel de Oliveira decidiu filmar o maior épico da história portuguesa, o mito de D. Sebastião, o encoberto, que trará a salvação e a concordância entre os povos, almejando o Quinto Império. Para isso, uniu-se à obra de José Régio,
El-Rei D. Sebastião, para criar um ensaio, não só sobre o predestinado, mas também sobre o poder e a utopia.
Esta fusão entre Oliveira e Régio traduz-se num filme demasiado teatral, em que a linguagem faz juz à técnica, num registo erudito. Os planos são fixos e demorados, o que torna o filme, não em teatro, mas sim em literatura - literartura em movimento. Manoel de Oliveira filma ainda todo o filme na penumbra, com os actores a moverem-se sobretudo na sombra, numa alusão ao mito do encoberto.
D. Sebastião foi assim, um rei predestinado. O seu nascimento já era desejado muito antes de ser conhecido, uma vez que a linhagem real se encontrava em risco. Tal desejo, conferiu ao futuro rei um perigoso predestínio, em que seria ele o escolhido de Deus, para levantar o Quinto Império. A crença do povo e a glorificação final por parte de Luís de Camões, deixaram o rei D. Sebastião com um perigoso menino nos braços, quando este subiu ao trono. A sua juventude e a sua mente influenciada por tais mitos, não conseguiram suportar essa responsabilidade perante o estado degradado do reino, sem meios para novas conquistas.
Manoel de Oliveira disseca este predestinado, assaltado por fantasmas e por responsabilidades para as quais não estava preparado. D. Sebastião nascera ferido de morte e fosse qual fosse o seu futuro, seria sempre vencido, mesmo em caso de vitória.
O Quinto Império - Ontem Como Hoje é um filme de portugueses para portugueses, uma vez que não explica, nem contextualiza. Apesar do belíssimo guarda-roupa e da impressionante cinematografia, a história não é localizada historicamente, o que para alguém que não esteja familiarizado com a história, não será mais do que um mosaico perdido na barra cronológica.
D. Sebastião é interpretado por Ricardo Trepa, sobrinho do próprio realizador, que tem aqui o seu primeiro grande papel. Apesar da responsabilidade, Trepa não vacila, apesar de também não estar brilhante. Brilhante está por sua vez Miguel Guilherme, no papel do truão Perna Curta, talvez por ser o mais rebelde naquele naipe de grandes actores, que se desenvolvem pelo registo teatral.
Manoel de Oliveira tem ainda a coragem de representar D. Sebastião, o desejado e o predestinado, como alguém altivo, confuso e célibático, em que a homossexualidade deste é um pouco mais do que uma suposição de corredor.
O Quinto Império - Antes Como Hoje não está ao nível dos grandes filmes de Manoel de Oliveira, mas é um grande regresso aos filmes, depois do razoável
Filme Falado. Apenas alguém com a experiência de vida do realizador portuense teria estatuto para filmar um filme como este, em que faz juz ao maior épico português, faz menção ao maior nome da música nacional - Carlos Paredes na banda-sonora - e glorifica 'a' voz nacional de Luís de Camões.
Um filme para portugueses, patriotas que glorificam Portugal, elevam
Os Lusíadas e ainda acreditam n'
A Mensagem. A vós vos saúdo e vos destino um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
11:40 AM
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