Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
MELINDA E MELINDA:
Título:
Melinda And MelindaRealizador: Woody Allen
Ano: 2004

Na vida temos três certezas: que todos nascemos, que todos morremos e que para o ano, Woody Allen estreará um novo filme. Não é exagero, ultimamente é uma premissa que se tem verificado. E pessoalmente, agrada-me bastante.
Geralmente, o cinema de autor de Allen divide os espectadores em dois grupos bem distintos: os que gostaram e os que odiaram. E o que é certo é que, nos últimos anos, o realizador tem andado arredado da criatividade superior de um
Annie Hall, por exemplo.
Melinda E Melinda interrompe a meio uma conversa de café, semelhante a tantas que já tivemos numa qualquer noite de sábado. Nesta, quatro pessoas discutem sobre a vida: se esta é cómica ou trágica. Para defenderem as suas teses, os amigos vão pegar na mesma história e dar-lhe rumo, ora humorístico, ora dramático. Na primeira, Melinda (Radha Mitchell em pose bombástica) vai viver uma comédia romântica ao lado de Hobie (Will Ferrell em grande); na segunda, Melinda vai ser vítima do drama mais violento que se possa imaginar, ao lado de Laurel (Chloë Sevigny) e Ellis (Chiwetel Ejiofor).
Dos últimos filmes, este é o mais criativo de Woody Allen. E como não era de esperar que o realiador mudasse agora, encontramos lá todas as suas marcas: o caos felliniano, os diálogos inteligentes, resquícios do disfuncionalismo hormonal de Christina Ricci em
>A Vida E Tudo Mais, o ambiente muito jazzy e o próprio Woody Allen, fragmentado sob o corpo de Will Ferrell.
Melinda E Melinda, como o ensaio que é, não foge nem faz tenção de fugir de todos os clichets, quer de comédia romântica, quer de drama intenso. No entanto, sabe-os usar de forma adequada e até os nomes das personagens são escolhidos de forma fantástica.
Com uma estrutura muito boa, Allen dispensa os narradores numa opção discutível e cria duas histórias paralelas, que se tocam em alguns lugares comuns, mas de uma realidade alternativa: o bistro escuro, a lâmpada mágica dos desejos ou a busca pela redençãio nos olhos do espelho que fitam os próprios olhos.
E é interessante notar que Woody Allen não faz uma análise parcial da discussão, tirando partido da tese que defende a vida como uma comédia, uma vez que a própria história dramática não foge ao humor.
Quando disse que
Melinda E Melinda era o mais interessante filme de Allen nos últimos anos, não me resumia a termos criativos; abrangia-o a uma visão global do filme. E o realizador norte-americano volta a fazer-nos rir verdadeiramente, com destaque para uma excelente cena ao som de Barry White.
Só por causa disto, merece um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
9:21 AM
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