Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005
LA JETÉE:
Título:
La Jetée
Realizador: Chris Marker
Ano: 1962
Datado de 1962, sobrevive um curioso exercício cinematográfico do documentarista Chris Market, totalmente peculiar na sua extensão. O seu título é
La Jetée e, juntamente com
Metropolis, é um dos grandes marcos na história da ficção-científica.
La Jetée começa por ser peculiar na duracção - os seus certeiros vinte e oito minutos são mais do que uma simples curta-metragem, mas muito menos do que uma longa; além disso, é totalmente curiosa a sua técnica: uma montagem de fotografias a preto e branco, qual foto-novela, mas sim, um foto-romance.
La Jetée, para além das notórias influências na ficção-científica posterior (especialmente em filmes como
Extreminador Implacável), tem o orgulho de assumir a paternidade da adaptação/remake
12 Macacos.
La Jetée é uma história futurista pós-apocalíptica, de um mundo devastado pela Terceira Guerra Mundial. A civilização resigna-se agora a sobreviver no subsolo, uma vez que a superfície se encontra contaminada pela radioactivade, enquanto que os cientista procuram uma solução para a humanidade. Esta solução passa por uma viagem no tempo e para isso vão precisar da cobaia certa. E o escolhido é um homem, assaltado por um estranho fantasma do passado.
Perguntam então o que tem de tão especial uma história contada por fotografia? Tudo, respondo eu.
La Jétee é uma fantástica história acerca de como não se pode alterar o destino, ao mesmo tempo, que é uma bela história de amor, com direito a twist e tudo. E enquanto que
12 Macacos assume uma complexidade cativante e genial, digna de um Royale With Cheese cinéfilo,
La Jétee é como que um poema, que toca a tragédia.
Devido à sua estaticidade, o filme realça uma banda-sonora cavernosa e transcendental, capaz de envergonhar
A Paixão De Cristo, e uma magistral montagem, através de fotogranmas certeiros, que conseguem animar o filme. E quando durante um específico segundo, a personagem feminina pisca o olho enquanto esboça um cândido sorriso (cena referenciada em
Blade Runner), ficamos na dúvida se o que acabamos de ver foi real, ou se foi fruto da nossa imaginação.
La Jetée é fantástico, obrigatório e um Le Big Mac, por vários motivos: porque é original, porque é o ponto de partida para a ficção-científica contemporânea, porque tem o tempo certo (nem mais nem menos), porque tem a mestria de contar uma história estática em filme e porque é um poema!
Para ler mais acerda de
12 Macacos, clique
aqui.
Posted by: dermot @
11:45 PM
|