Sábado, Janeiro 29, 2005
JAMES BOND - DR. NO:
Título:
Dr. No
Realizador: Terence Young
Ano: 1962
A figura de James Bond é hoje em dia um dos maiores franchisings cinematográficos de sempre, tornando-se já de si uma marca, perdida na americanização hollywoodesca de clichets e maneirismos tradicionais. No entanto, antes de cair nesta teia de vícios, a figura do espião criado pelo novelista Ian Flemming era um dos mais audazes heróis da sétima arte.
Não quer dizer que hoje já não o seja; antes pelo contrário. No entanto, antes de se aventurar em intrigas internacionais mirabolantes de façanhas impossíveis, James Bond era apenas o maior agente secreto do mundo.
Introduzido em 1962,
James Bond - Dr. No apresentou ao Mundo pela primeira vez, o espião irresistível ao serviço de sua Majestade, com permissão para matar - Bond, James Bond, número de código 007. Podemos afirmar que
Dr. No está para o universo Bond, da mesma forma que Genesis está para a Bíblia.
E se em sete dias Deus criou o Mundo, Sean Connery em apenas um filme criou um mito. E não falo apenas do espião mulherengo, apreciador de martini -
shaked, not stirred - galã, bon-vivant e cruel; falo de uma personagem, que apesar de não o ser, parece ter sido criada para o actor escocês, que a moldou a seu bel prazer, transformando-a num pesado fardo para os seus sucessores.
Sean Connery é assim James Bond, o espião inglês ao serviço do MI6, que parte em missão, na tentativa de deslindar um preocupante caso de desvio de mísseis. E que melhor local para iniciar o périplo Bond do que a exótica e fascinante Jamaica! Aí, vai ver-se envolvido numa intriga com uma escala maior de que a imaginava, encabeçada pelo vilão Dr. No (Joseph Wiseman), com pretensões a líder mundial.
James Bond - Dr. No tem assim o condão de introduzir algumas características essenciais do universo Bond. Primeiro, a banda-sonora: o fantástico tema do espião 007, uma composição fantástica e intemporal que perdura até hoje, actuando no filme em pontos-chave, sempre que o herói entra em cena; segundo, a bond-girl: Ursula Andress estreia esta categoria e logo uma estreia inesquecível. Uma entrada em cena num memorável biquini rosa, que Halle Berry tenta repetir em
Morre Noutro Dia. E terceiro, a sequência de créditos iniciais, uma divertida fusão retro-vintage, muito anos 60, com os ritmos jamaicanos.
James Bond - Dr. No é um grande filme (apesar de alguns momentos mais lentos), com uma estreia fantástica de um muito sólido Sean Connery, que na década de 60 vinga pelo choque, numa sociedade que não estava habituada a ver um herói com tamanho sangue-frio e crueldade (genial a cena em que elimina o Professor Dent (Anthony Dawson)) e com uma moral tão politicamente incorrecta perante o sexo feminino (não menos genial o modo como trata Sylvia Trench (Eunice Gayson)).
Dr. No é assim o respeitável início da saga Bond, que não envergonha em nada o espião 007; antes pelo contrário. Que pena que todos os outros filmes não fossem no mínimo, como este, ou seja, um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
12:47 AM
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