Terça-feira, Janeiro 11, 2005
IMORTAL:
Título:
Immortel (Ad Vitam)
Realizador: Enki Bilal
Ano: 2004
Imortal foi o primeiro filme a ser totalmente rodado digitalmente, ou seja, com os actores a representarem em frente de um fundo azul, com os cenários a serem acrescentados digitalmente, à posteriori. No entanto, ao contrário dos seus sucessores, como
Sky Captain E O Mundo De Amanhã,
Imortal conta ainda com uma parte cem por cento digital, ou seja, em que até as personagens são fictícias, qual
Fantasia Final.
Imortal é a adaptação de Enki Bilal da sua própria série de banda-desenhada, uma estranha e misteriosa história num futuro apocalíptico, que engloba humanos, mutantes e extraterrestres, em doses filosófias e religiosas de quantidades iguais. Uma espécie de fusão do universo de
Blade Runner com o imaginário onírico de
A Cela, num tratamento digital que nem sempre é convincente.
No entanto, ao contrário das recentes animações, as aspirações tecnológicas não são importantes. Aqui, o que conta são os simbolismos, o universo pictórico e onírico, o lado artístico... E as portas entreabertas, que algumas vezes devem conduzir aos livros, fazem parte do próprio mistério do filme.
Assim, nesta Nova Iorque pós-apocalíptica, Horus (com a voz de Thomas M. Pollard), deus egípcio dos céus, é condenado pelos seus irmãos deuses à morte. No entanto, antes de ver cessado o seu direito à eternidade, o deus tem direito a sete dias terrestres de despedida, os quais vai gastar na busca de uma mulher para procriar. Esta não é uma qualquer; é uma inumana rara, de origem desconhecida, chamada Jill (Linda Hardy). No entanto, Horus vai precisar de um corpo humano como veículo e o recém-escapado rebelde Nikopol (Thomas Kretschmann), qual Che Guevara num período Homem Demolidor, vai servir na perfeição.
Num original cenário de ficção-científica, Bilal constrói uma história de forte influência religiosa e filosófica, com grande sentido artístico, ou não declamassem os personagens poesia de Baudelaire. Com uma estética pronta a roçar o divino,
Imortal é acompanhado por uma banda-sonora a condizer, que só vacila no tema final.
Só não se entende a opção por personagens digitais em detrimento de actores reais, além da fraca caracterização do dayak original, um monstro vermelho de voz robotizada arcaica, a fazer lembrar um mau episódio dos
Power Rangers.
A atravessar territórios de forte artificialidade,
Imortal é no entanto um interessante e curioso filme de ficção-científica, com grande valor artístico.
Para os apreciadores e admiradores de filmes como
Matrix ou
Cidade Obscura, será sem dúvida mais saboroso que um McBacon.
Posted by: dermot @
11:48 PM
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