Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
HARLEY DAVIDSON E O COWBOY DO ASFALTO:
Título:
Harley Davidson And The Marlboro Man
Realizador: Simon Wincer
Ano: 1991
Os anos 80 foram uma década prolífera para o cinema xunga, uma altura em que que se criaram mitos e cultos à volta dos filmes de acção, de nomes como
Rambo ou
Cobra, filmes honestos e sem ambições desmedidas. Actores como Stallone, Bruce Willis, Schwarzennegger, ou Van Damme, foram elevados a action heros despretensiosos, em filmes de acção em que tudo era feito com a mais pura das convicções. No entanto, a partir da década de 90, os filmes de acção foram inflados de pretensões e ambições comerciais de grande porte, transformando o cinema xunga em (pseudo)filmes como
XXX - Missão Radical, em que interesses comerciais e intenções tecnológicas, são exploradas ao máximo para a total rentabilização do filme.
No entanto, na década de 90 ainda surgiram alguns filmes que conseguiram escapar a este inchar de ego, esquivando-se por entre as convenções hollywoodescas dos chamados blockbusters convencionais. E um desses raros exemplos foi
Harley Davidos E O Cowboy Do Asfalto.
Estreado em 1991,
Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto tinha tudo para ser um filme xunga do mais alto nível. Começando pelo realizador, Simon Wincer, cujos capítulos mais altos da sua carreira de realizador incluem o piegas
Libertem Willy e a pipoca rasca,
Crocodilo Dundee Em Los Angeles, até ao extenso elenco, onde brilhava Mickey Rourke, um dos maiores símbolos do cinema de segunda categoria, numa altura em que a sua carreira cinematográfica corria paralela aos êxitos que acumulava na sua curta carreira no boxe, e Don Johnson. Havia ainda a presença física de Tia Carrere, Tom Sizemore e até um dos membros do clã Baldwin, Daniel.
Harley Davidson (Mickey Rourke) e Marlboro (Don Johnson) eram dois cowboys do asfalto, montados em cavalos de ferro, filhos ilegítimos de
Easy Rider, vivendo dia após dia, sem preocupações de maior, num qualquer rumo errante pela vida. Partilhando uma cumplicidade que só as grandes parcerias adquirem, partilhavam-na com mais um grupo de amigos num bar de Las Vegas, ponto de encontro de mulheres, bebida e jogo. Quando o estabelecimento vê a sua continuidade em perigo, os amigos vão organizar um roubo a um dos bancos da cidade. O que não imaginavam era que Chance Wilder (Tom Sizemore) era o rosto à frente da máfia da droga local.
Harley Davidos E O Cowboy Do Asfalto aparenta ser um filme para suprir gostos pessoais, tanto do realizador como por parte dos actores - o que só pode explicar o tão à-vontade e boa diversão por parte dos actores. Road movie, salpicado de heist movie, para desembocar num flip de acção à boa maneira do cinema xunga dos anos 80,
Harley Davidos E O Cowboy Do Asfalto é um péssimo exemplo de cinema, mas um óptimo serão de entretimento, um ensaio de estilo e todas aquelas preciosidades que nos fizeram amar os Estados Unidos na adolescência.
Antes de haver
Torque, havia filmes como este. Dois heróis urbanos, que conseguem partilhar uma química bastante interessante, à boa maneira de
A Fúria Do Último Escuteiro. No entanto, ao contrário deste, os diálogos quedam-se pelo ridículo e lamenta-se a quase ausência do humor, condimento tão importante nesta situação.
Mickey Rourke atravessa uma fase descendente da carreira (e da vida pessoal) e por isso a sua contribuição limita-se a ser semelhante ao que um pé-de-cabra (des)faz; o que não deixa de ser negativo, se tivermos em conta que ao seu lado estava Don Johnson. No entanto, este não consegue salvar todo o elenco, como uns sofríveis Giancarlo Esposito e Big John Studd. Até a própria Tia Carrere passa ao lado do filme, uma vez que Simon Wincer despreza completamente a presença (física e não só) da actriz, algo impensável no cinema deste tipo.
Impregnado de questões morais e diálogos profundos a roçar o ridículo, ao som de uma banda sonora ao nível,
Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto prima pela sua honestidade e despreocupação em contar uma história, em que a estrada são o sentido da vida e as motas as suas companheiras. E estranhamente, no final o argumento joga muito bem com as suas punchlines, transformando o serão num agradável período de pipocas.
Um despretensioso filme de acção de boa herança xunga, que apesar do saboro Double Cheeseburguer, tem todos os condimentos para o elevar a categorias mais elevadas de um qualquer McBacon.
Posted by: dermot @
9:31 PM
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