Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
EL MARIACHI:
Título:
El Mariachi
Realizador: Robert Rodriguez
Ano: 1992
Apesar de ser a primeira parte de uma triologia,
El Mariachi é um filme bastante diferente dos seus sucessores -
Desperado e
Era Uma Vez No México, respectivamente - muito em parte devido à sua natureza.
Se em comparação com
Era Uma Vez No México,
El Mariachi é uma verdadeira antítese - uma vez que este não é mais que um desfile de estrelas numa passerelle de explosões e do que Hollywood melhor consegue fazer, em termos de efeitos especiais - com
Desperado, assume uma complicada relação de paternidade, que não deixa muito bem entender se
Desperado é uma sequela, ou uma adaptação deste clássico.
El Mariachi foi um filme independente, que saiu da imaginação fértil de um ainda desconhecido Robert Rodriguez, que com pouco dinheiro e alguma ajuda de amigos, assinou este filme, apenas com a intenção de praticar as suas qualidades de realizador. No entanto, estava longe de adivinhar que se iria tonar num dos grandes filmes de culto dos últimos tempos e que Hollywood o iria chamar para uma adaptação/sequela, com mais meios disponibilizados. Por isso,
El Mariachi aparece muitas vezes como um esboço de
Desperado, experiências de planos consagrados por Banderas; mas muitas vezes,
Desperado também nos surge como uma sequela deste.
El Mariachi não introduz só a personagem do mariachi pistoleiro, com resquícios de western spaghetti de
Django; é ainda um filme com um cariz bastante diferente do outro. E primeiro que tudo, conta com um ambiente exclusivamente latino, que marca bastantes pontos.
A sua natureza low-budget dá ao filme um ambiente bastante natural, quase de documentário, mas deixando antever por algumas frinchas, um realizador original e inovador, não só na escrita e na realização, mas também na edição e na montagem. Aliás,
El Mariachi é um dos primeiros casos da estilização da violência que o cinema da década de 90 assumiu, principalmente após
Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, de quem Robert Rodriguez é um dos discíplos directos.
Se
Desperado é uma lição de estilo,
El Mariachi é o total oposto: Carlos Gallardo não tem o estilo cool de Antonio Banderas, Consuelo Gómez não é nem de longe nem de perto a diva que é Salma Hayek e Peter Marquardt, apesar do esforço, fica aquém do bandido latino que é Joaquim de Almeida.
Este filme é então um retrato instantâneo da realidade, bastante credível: os actores são desajeitados, o que lhes retira de cima, o idealismo de heróis e vilões.
Fazendo juz à sua nature
El Mariachi tem todo o aspecto de cinema independente, filmado apenas com uma câmara e com os recursos mínimos. Se os actores actuam por cima de uma ténue linha de mediania, muitos dos actores secundários e figurantes limitam-se ao sofrível. A própria banda-sonora é digna de um mau filme de segunda qualidade, fazendo-nos implorar para que esta não dure por muito tempo.
Mas não será isto que dá o brilho especial ao filme?
El Mariachi é assim um dos mais fabulosos filmes low-budget de sempre, prova de que o dinheiro e os recursos técnicos não fazem um filme, mas sim a imaginação e a criatividade. Exemplo incontornável de todos os aspirantes a realizadores, continua a ser um dos mais inspiradores filmes de acção contemporãneos, um dos primeiros marcos da estilização da violência. Robert Rodriguez apresentava aqui todas as suas potências, que atingiriam o auge em
Desperado.
É certo que
El Mariachi não tem o estilo deste último, nem poderia ter. Mas tem muitas outras coisas.
Porque há então um tal de
Desperado, este é um McChicken, mas com muitas mais batatas fritas do que
Era Uma Vez No México.
PS - Para ler mais acerca de Era Uma Vez No México, siga este link.
Posted by: dermot @
9:43 AM
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