Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
SORTE NULA:
Título:
Sorte Nula
Realizador: Fernando Fragata
Ano: 2004
Fernando Fragata, realizador do blockbuster
Pesadelo Cor-de-rosa, voltou aos filmes ao assinar este
Sorte Nula, uma produção independente de baixo orçamento.
Rapidamente se percebia que o filme fugia ao característico filme português, longe dos retratos poéticos e morais do Portugal profundo e Fragata, para contornar a falta de apoio por parte do ICAM, refugiou-se entre uma massiva campanha publicitária na internet e recrutou um elenco mediático para a suportar. O resultado foi que as opiniões se extremaram: de um lado, os críticos conservadores que arrasaram o filme; e do outro, os mais liberais que elevaram
Sorte Nula como um dos melhores filmes nacionais de sempre.
A verdade é que nenhuma destas facções está certa.
Sorte Nula não é um grande filme, mas também está longe de ser o fracasso que muitos vaticinaram.
Para quem viu
Pulsação Zero,
Sorte Nula é quase uma sequela em formato longa-metragem.
Alberto (Hélder Mendes) é um jovem empresário que na véspera de partir secretamente para o Brasil, é ameaçado e confrontado pelo seu ex-sócio, Chico (António Feio). No entanto, quando este aparece misteriosamente morto, as peripécias começam a suceder-se a um ritmo alucinante, envolvendo polícia (Rui Unas e Bruno Nogueira), a esposa de Chico (Adelaide de Sousa) e muitos outros.
Quando pensas que nada pode piorar, eis que acontece. É esta a máxima de
Sorte Nula.
Longe do esteriótipo do filme português, Fernando Fragata assina uma narrativa dinâmica e cheia de ritmo, rcheada de twists, cambalhotas à frente e cambalhotas à rectaguarda.
Não se pode acusar o filme de ser chato, mas Fragata estica a corda até ao limite, parando porém antes de partir.
Se a qualidade de imagem é deveras pobre, os actores são por sua vez geniais. António Feio brilha num curto espaço de tempo; Rui Unas cimenta uma carreira curta, mas séria, que se inciou em
Os Imortais; Bruno Nogueira aparece numa prestação bastante segura; Adelaide de Sousa volta aos nossos ecrãs da melhor amneira; e Hélder Mendes encarna bastante bem o protagonista.
Apenas Tânia Miller parece estar abaixo da média. No entanto, é Carla Matadinho a protagonista do pior momento do filme, mas sem ser culpa sua. Uma cena de striptease ridícula, despropositada, que aterra no meio do filme como um objecto estranho - situação completamente gratuita, com o intuito de mostrar corpos desnudados.
Apesar deste lamento e da pouca exploração da banda-sonora - que podia ser um interessante trunfo nesta situação -
Sorte Nula é um divertido e agradável filme, que não ofende ninguém.
Para se ver agarrado ao balde de pipocas e ao McBacon, num domingo à tarde.
Posted by: dermot @
12:05 PM
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