Domingo, Dezembro 12, 2004
SKY CAPTAIN E O MUNDO DE AMANHÃ:
Título:
Sky Captain And The World Of Tomorrow
Realizador: Kerry Conran
Ano: 2004
Se antes o circo era uma parada de aberrações, o cinema veio a tomar o seu lugar como máquina de sonhos. A sua possibilidade de nos fazer transportar para os mais diversos sítios de forma realista, rapidamente fez do cinema a sétima arte.
Antes de mais,
Sky Captain e o Mundo De Amanhã é uma máquina de sonhos; um filme que nos transporta para um mundo heróico de vilões e heróis, de heroínas indefesas e monstros gigantescos, como nos nossos sonhos de infância.
Sky Captain e o Mundo de Amanhã é completamente filmado em fundo azul, ou seja, é totalmente construído digitalmente, como um
Final Fantasy com actores de carne e osso, de forma a satisfazer toda a imaginação fértil do estreante Kerry Conran - lembram-se de
Major Albega? É tal e qual isso, mas com melhores efeitos visuais.
È assim um tributo de Conran a todas as suas influências e gostos pessoais; e enquanto Tarantino vai buscar as suas referências a filmes de segunda categoria ou a clássicos do fundo do baú, Conran repesca as pulps dos anos 40, o cinema dos anos 30 e a banda-desenhada norte-americana. Por isso,
Sky Captain E O Mundo De Amanhã é um desfile de referências a filmes como
King Kong,
A Guerra Dos Mundos ou
Destination Moon, passando pela
Guerra Das Estrelas e por
James Bond; das pulps norte-americanas de Dan Dare, O Piloto do Futuro,
Dick Tracy ou Nick Fury; da banda-desenhada de
Super-Homem e de Capitão América; ou mesmo, do próprio
Major Alvega.
Por tudo isto, a história decorre em uma Nova Iorque disconexa, nos anos 30, e rapidamente escorre para sítios como o Nepal. Graças à manipulação digital, tudo é recriado a uma escala gigantesca: os prédios, as montanhas, as próprias divisões.
Jude Law é o Capitão Sky, herói ímpar e defensor do Mundo, com direito a um próprio esquadrão de aviadores e a um companheiro cientista inseparável (Giovanni Ribisi), qual Q. Quando monstros robóticos gigantescos invadem a cidade, Sky Captain vai ser o salvador de serviço; e as ocasionalidades vão faze-lo mover-se entre a sensualidade da jornalista Polly Perkins (Gwyneth Paltrow) e da capitã Franky Cook (Angelina Jolie), até chegarem ao encalce do mega-vilão, o dr. Totenkopf, nada mais nada menos que (pasme-se) Laurence Olivier, recuperado do além através da manipulação digital.
Se esta forma de fazer filmes é acertada ou não, é uma discussão para além destas linhas. O que é certo é que, para algo deste género, não podia ser melhor.
Jude Law é o esteriótipo do heróismo, qual fusão entre Roger Moore e Steve McQueen, ou não tivesse sido ele já, Gigolo Joe ou
Alfie; ao seu lado, move-se Gwyneth Paltrow, a frágil mas decidida jornalista, capaz de fazer abalar o inabalável Capitão Sky; e Angelina Jolie é a fria e sensual capitã Cook, e mesmo de pala no olho, não deixa de ser a Angelina Jolie. Apenas Laurence Olivier parece uma escolha infeliz, uma vez que o universo resgatado do filme não passa pela obra do falecido actor.
Quanto ao trio de protagonista, o destaque vai para Gwyneth Paltrow, que parece um decalque de um clássico de há 60 anos atrás.
Sky Captain e O Mundo de Amanhã aposta tudo no espectáculo visual; um discorrer de acção e fantástico, com monstros gigantescos, figuras fantásticas e máquinas destrutivas. No entanto, quando a imaginação do realizador Kerry Conran parece começar a fraquejar e os tiros começam a ser de pólvora seca, o filme começa a ir abaixo, frágil demais para se aguentar sobre o argumento óbvio e sem surpresas.
Ou seja, quando as sequências deixam de nos deixar de sorriso nostálgico na boca, começa a ser tudo seguido segundo os cânones e o final parece feito em cima do joelho, decidido numa tarde de café. Uma pena, visto que
Sky Captain E O Mundo De Amanhã tinha tudo para ser um álbum de fotografias da sétima arte.
No entanto, não deixa de ser um filme divertido, para passar um bom bocado, numa amálgama de referências pintadas a sépia, num embrulho deveras interessante. O trio de actores, Jude Law, Gwynelth Paltrow e Angelina Jolie prometem regressar numa sequência de sequelas, dignas da adejectivação de blockbuster de verão, para regalo dos cinéfilos e dos amantes dos filmes de acção. Esperemos que a imaginação não falte a Kerry Conran.
Um McBacon, mas com uma satisfação final igual a quando ficamos com o brinquedo do Happy Meal. E o cinema volta a ser cinema.
Posted by: dermot @
12:01 PM
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