Domingo, Dezembro 19, 2004
NAPOLEON DYNAMITE:
Título:
Napoleon Dynamite
Realizador: Jared Hess
Ano: 2004
O selo da MTV apresenta este filme que, contra todas as previsões, fez furor por todos os festivais de cinema por onde passou, nomeadamente o de Sundance, o que originou uma acesa disputa entre produtoras pela distribuição de
Napoleon Dynamite, o qual foi ainda acrescentado um epílogo, de forma a reestrear o filme nos cinemas.
No entanto, parece um pouco irónico aparecer a MTV como uma das parceiras de um filme que dobra e vinca a América por um grupo social de fraca formação, quando a própria estação televisiva acaba por ser uma das marcas que esteriotipam a sociedade actual.
Napoleon Dynamite (Jon Heder) é um jovem norte-americano do interior dos Estados Unidos, que parece coleccionar todos os esteriótipos do jovem inadaptado amante de artes marciais e guerreiros medievais. No entanto, quando reparamos no seu irmão Kip (Aaron Ruell) ou no seu tio Rico (Jon Gries), apercebemo-nos que afinal Napoleon é o mais normal daquela casta.
Napoleon Dynamite é assim um circo de bizarraria, uma colecção dos mais variados cromos, aqueles que são sempre os mais difíceis para completar a caderneta.
Não é a primeira vez que é abordado no cinema, o tema dos chamados geeks que acabam por sair vencedores na vida pela sua pureza de coração e ingenuidade - foi assim em
American Pie e, principalmente, em
Namorada: Aluga-se. Também já foi abordado esse mundo de dentro para fora, como a adaptação de
Mundo Fantasma. No entanto, nunca tal foi filmado como
Napoleon Dynamite.
O estreante Jared Hess conseguiu juntar um rol de jovens debutantes actores que fazem a diferença, numa sociedade das mais assustadoras aberrações, mas que ao contrário de
Parada de Monstros, assusta por serem muito mais reais - e Michael Moore já provou que essas pessoas existem mesmo, nos seus dois últimos documentários. Essa sociedade, misto de anos 80 com temáticas ninja, antropomórficas e encontros virtuais, podia muito bem ser habitada por um certo grupo de miúdos de
South Park.
No entanto,
Napoelon Dynamite é apenas uma sequência de acontecimentos na vida do jovem baptizado com o pseudónimo de Elvis Costello. Argumento pouco ou nada existe e por vezes, as situações parece caídas do nada, como objectos estranhos que pairam entre cenas. A única intenção é apenas a crítica social, um apontar do dedo à América interior, os geeks e os rednecks, que parecem fazer a civilização regredir em inteligência. De humor mordaz e acutilante,
Napoelon Dynamite esgota todos os seus trunfos no grupo de personagens absurdas e nas situações mais surreiais que se possam imaginar.
Não esperem algo superior ou um golpe de asa capaz de deixar de boca aberta. Tudo é feito sem cerébro e até os clichés estão lá. No entanto, se deixar o cérebro à porta do cinema, o Double Cheeseburguer saberá a caviar. E divertir-se-á certamente.
Ao fim ao cabo, é sempre superior a qualquer teen moovie tão em voga nos cinemas americanos e que tanta lavagem cerebral continuam a fazer.
Posted by: dermot @
9:41 PM
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