Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
HOMEM-ARANHA:
Título:
Spider-Man
Realizador: Sam Raimi
Ano: 2002
Homem-Aranha foi um dos pioneiros da nova vaga de super-heróis que invadiu Hollywood há um par de anos atrás e um dos que ficou para trás após a primeira experiência dos anos 90. No entanto, o seu sucesso mediático tornava-o num herói que não podia ser tratado de forma leviana e Hollywood tinha noção disso.
Assim, após James Cameron ter abandonado um projecto que arrastava desde 1995, Sam Raimi, um mestre da fantasia e realizador de culto de um público de série B, graças à sua triologia
Evil Dead, foi o escolhido.
A sua escolha foi quase unânime e o resultado final provou que não foi errada.
Um dos públicos mais difíceis de agradar nestas adaptações são os fãs das bandas-desenhada; um seguidor e admirador das aventuras desenhadas de um super-herói não vai deixar passar impune qualquer incoerência ou algum facto truncado da história em causa. Por isso, o trabalho de Raimi, que fez valer a sua faceta de admirador de banda-desenhada, centrou-se em primeiro lugar nessa vertente.
Claro que adaptar quarenta anos de história de comics em apenas um filme é uma tarefa hercúlea, para não dizer impossível, de se fazer fielmente; no entanto, há que saber trabalhar a adaptação. E apesar de alterar alguns (muitos?) factos - alguns deles mesmo dispensáveis, como a armadura ordinária do Duende Verde, qual
Power Ranger, ou o pormenor de as teias do Homem Aranha serem resultado do seu próprio corpo - Sam Raimi acaba por ganhar a aposta dos trunfos que fez.
O Homem Aranha foi desde o princípio um dos super-heróis mais mediático e com maior aceitação por parte do grande público devido a dois factos importantes: primeiro, devido ao facto da maioia dos leitores se identificarem com a personagem de Peter Parker - um adolescente com problemas na escola, timido demais para convidar para sair a rapariga dos seus sonhos, Mary Jane, problemas em arranjar emprego e dificuldades em pagar a renda mensal de casa. O outro facto, reside no facto de o Homem-Aranha não ser um herói comum. Ou seja, os problemas pessoais de Peter Parker afectam a vida do Homem Aranha e vice-versa.
Sam Raimi soube então usar estas premissas como o ponto fulcral do seu filme, resistindo à violência gratuita e desenfreada, à pirotecnia abundante e os confrontos épicos entre sobre-humanos.
Foi este o trunfo de
Batman, de Tim Burton e é este o trunfo de Homem-Aranha. Sam Raimi não se resignou a registar a origem e as aventuras do herói aracnídeo; trabalhou também a vida de Peter Parker, os amores e desamores, a sua vida profissional e a sua vida emocional. E focou uma premissa importantíssima: grandes poderes trazem grandes responsabilidades.
Foi um trio interessante de actores que encarnaram os papéis principais. Se no caso de Kirsten Dunst e James Franco, foi um retorno à adolescência, depois de
Virgens Suicidas e
Freeks And Geeks, respectivamente, e tal não provocou grande surpresa, já a escolha de Tobey Maguire foi uma agradável surpresa. È certo que nenhum dos três deslumbra, mas actuam numa base de grande segurança, perspectivando um bom futuro pela frente. Kirsten Dunst mostra que não é só uma cara linda, em vésperas da sua prova de fogo, às mãos da sua madrinha Sofia Coppolla, no papel de Maria Antonieta; James Franco mostra todas as suas apetências como o novo James Dean, pelo menos em temros físicos; e Tobey Maguire é um excelente colegial, o retrato perfeito do miúdo de óculos que há em todas as escolas, a quem roubam sempre o dinheiro do almoço. Só é pena não haver a química entre Peter Parker e Mary Jane que devia haver, assim como há entre Clark Kent e Lois Lane em
Super-Homem.
E depois há Willem Dafoe no papel do némesis do Homem Aranha, provando que é um grande actor, mas que não sabe escolher, na maioria das vezes, os papéis certos - e que grande cena a sequência em que fala com o seu alter-ego através do espelho.
Homem-Aranha é assim uma adaptação bastante competente do universo aracnídeo da Marvel. Uma introdução bastante segura de Sam Raimi, a preparar mais uma triologia, onde promete retratar um Peter Parker em primeiro lugar, em detrimento de um Homem Aranha.
Não esperem jorros de adrenalina e combates épicos (tanto para mais que a interacção entre o Homem Aranha e o Duende Verde não é o mais convicente do filme), mas esperem sempre um agradável blockbuster que não deixa enjoar as pipocas.
E o McBacon justifica-se, nem que seja pela cena do beijo, com o Homem Aranha de cabeça para baixo, que promete ficar na história das cenas românticas da sétima arte.
Posted by: dermot @
11:03 PM
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