Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
BARBARELLA:
Titulo:
Barbarella
Realizador: Roger Vadim
Ano: 1968
Em 1968, Jane Fonda era elevada a ícone sexual, à semelhança do que iria ser Brigite Bardot ou Marylin Monroe, à custa das suas longas pernas e à exposição pelo panfleto pró-sexo de Roger Vadim,
Barbarella, adaptação da banda-desenhada de enorme sucesso.
Apesar do imaginário fantasioso semelhante ao do outro super-heróis
Flash Gordon,
Barbarella não era mais que uma metáfora alegórica de uma característica época, os selvagens anos 60, a favor da liberação do sexo e acerca da salvação do corpo e da mente através do amor. Era o flower power, a paz e o amor, mas também os ácidos, os alucinogéneos e o psicadelismo.
Barbarella (Jane Fonda) é uma agente espacial num futuro longíquo em que o universo se encontra mergulhado em paz e harmonia. No entanto, o desaparecimento de um cientista, de seu nome Durand Durand (Milo O'Shea), num planeta recôndito faz a heroína procurar o seu resgate, uma vez que a sua invenção, uma poderosa arma futurista, pode desencadear a guerra geral. No entanto, o que a heroína não esperava era encontrar SoGo, uma cidade de preversão e depravação moral, ou não fosse o seu nome uma referência a Sodoma e Gomorra, que tal como na história bíblica, acaba por perecer às mãos do seu criador.
Mas
Barbarella não é só isto. A sua nave é cor-de-rosa com o interior forrado a veludo. O computador central é gay. E os humanos fazem amor através de uma pílula e sem contacto físico. É assim o universo retro-futurista do filme, um delírio de entretenimento kitsch, em que qualquer oportunidade é pretexto para fazer valer as virtudes de uma Jane Fonda em tempos de glória.
Numa época de revoluções culturais, políticas e sexuais, nada melhor do que utilizar a tão em voga ficção-científica para propular os anseios do presente num futuro metafórico, mas sob a forma de veículo de entretenimento de imaginação sem limites.
Barbarella é assim um acid-film, resultado de um universo psicadélico, ou não estivesse o próprio David Gilmour na compisção da fabulosa banda-sonora.
Barbarella é uma deambulação por peripécias sexuais de impulsos incontroláveis, como que um
Austin Powers cosmológico de um futuro afogado em ácidos.
Com uma abertura de deixar qualquer um de boca aberta, num strip sensual de Jane Fonda,
Barabarella tem o seu clímax quando a própria heroína quase morre numa máquina de tortura de prazer, instrumento que no entanto não resiste à sensualidade da bela Barbarella.
Um filme fora do baralho, numa época em que tal era permitido e compreensível, que se tornou facilmente um filme de culto, à semelhança de exercícios parecidos como
The Rocky Horror Picture Show, como um bom espólio de lixo pop.
Um McBacon para devorar com abertura e sentido de humor.
Posted by: dermot @
7:22 PM
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