Domingo, Dezembro 05, 2004
AS INVASÕES BÁRBARAS:
Título:
Les Invasions Barbares
Realizador: Denys Arcand
Ano: 2003
O cinema francês tem uma tradição assente no chamado 'cinema de prestígio', obras com alicerces no humanismo e na sensibilidade académica. Talvez por isso, os franceses gostem tanto do Manoel de Oliveira.
Esta produção franco-canadiana,
As Invasões Bárbaras, parte desta parábola, para no entanto divergir num dos mais sensíveis filmes dos últimos tempos, que lhe valeu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
As Invasões Bárbaras é a história de Remy (Rémy Girard), um catedrático bon-vivant, que não mantém uma boa relação com o filho Sébastien (Stéphane Rousseau), entrando em choque com o seue stilo de vida capitalista. No entanto, a doença marca um prazo na vida de Remy e este período vai promover o reencontro entre os dois.
Mas o filme não é só isto, como aparenta ser.
As Invasões Bárbaras é ainda uma abordagem ao ser humano, à fragilidade da vid, ao sentido da mesma, ao relacionamento entre as pessoas e a muitos temas tabu: a droga, a eutanásia, a corrupção e a liberação sexual.
Falar de
As Invasões Bárbaras, não é só falar da sequela de
O Declínio do Império Americano; implica falar de três filmes:
O Grande Peixe, pela relação pouco saudável entre pai e filho, cuja proximidade da morte vai ocupar-se de resolver;
Magnolia, pela abordagem à peracidade da vida e a reacção à morte anunciada; e a
Felicidade, pela crítica social de hábitos e costumes, não se esquivando aos tabus, mas sem recurso ao humor negro e subliminar.
Se todo o elenco está formidável, Rémy Girard está enorme, numa prestação de encher o olho, não se esquivando de arcar com a responsabilidade de ser o elo de ligação e, ao mesmo tempo, o ponto de charneira entre as personagens e os binómios: a sua alegria de viver a desilusão pela vida de Nathalie (Marie-Josée Croze), ou a sua filosofia literária contra o modo de vida capitalista do seu filho.
As Invasões Bárbaras é um excelente captar do relacionamento humano, que faz da sensibilidade e simplicidade, os seus pontos fortes. No entanto, não se esquiva dos pontos fracos, uma vez que o canadiano Denys Arcand parece filmar em
fast forward, o que nos deixa com a sensação de estarmos de viagem num comboio e que perdemos mesmo algumas estações.
São filmes como este que tornam ingrata a tarefa da classficação. Porque se eu atribuíse o Double Cheeseburguer que estava a pensar, ia parecer que estava a subvalorizar o filme. Talvez disfarce isso com um McBacon.
Posted by: dermot @
11:43 PM
|