Segunda-feira, Novembro 15, 2004
A VIDA É UM MILAGRE:
Título:
Zivot Je Cudo
Realizador: Emir Kusturica
Ano: 2004
A Vida É Um Milagre não foi a primeira escolha de Emir Kusturica para o seu próximo filme; e depois de o vermos, ficamos com a impressão que foi mesmo uma escolha de último recurso.
Tal constatação nunca é positiva. E quando é acerca um realizador como Kusturica, não é nada bom sinal.
O jugoslavo Emir Kusturica reinventou a comédia quando criou o seu já famoso cinemade autor, uma fusão da tradição jugoslava com o modernismo hollywoodesco, o que lhe granjeou uma enorme falange de admiradores, especialmente no nosso país. No entanto, após duas obras superiores como
Era Um Vez Um País e
Gato Preto, Gato Branco,
A Vida É Um Milagre é algo banal e muito menor.
Kusturica criou um novo género cinematográfico, mas neste filme parece que se limitou a pisar as pegadas que tinha deixado quando trilhou o caminho do sucesso. Esperemos que o realizador não esteja preso no universo que criou e que se consiga libertar do "monstro".
A Vida É Um Milagre, numa abordagem geral, é a mistura entre o ambiente político de
Era Uma Vez Um País, com a vivacidade de
Gato Preto, Gato Branco. Sem particular, está lá tudo o que é já pertença do imaginário de Kusturica: animais, ritmo, anões, armas, guerra, dança, futebol e caricatas personages, tudo regado com música, muita música. Mas o que em obras anteriores era divertido e poderosos, agora é banal, insonso e exagerado - não que este exagero seja propositado, porque para quem conhece o realizador jugoslavo sabe que ele é mesmo assim. E para quem tiver dúvidas, basta assistir a um concerto da sua No Smoking Orchestra.
O título de
A Vida É um Milagre diz tudo acerca do filme - uma história de amor, de optimismo e sobre a alegria de viver.
Luka (Slavko Stimac) é um engenheiro ferroviário, cujo optimismo e a alegria pela vida o fazem viver feliz numa aldeia perdida na Jugoslávia, ao lado do comboio, da mulher Jadranka (Vesna Trivalic), uma ex-estrela de ópera e o filho Milos (Vuk Kostic), aspirante a jogador de futebol, tapando-lhe os olhos para a guerra que se avizinha. A vida parece então pregar-lhe uma partida, quando a mulher o abandona por um artista húngaro, a guerra eclode à porta de casa e o filho, para além de ser alistado, é feito prisioneiro pelo inimigo. No entanto, Luka conhece Sabaha (Natasa Solak) e a vida volta a fazer sentido. Mesmo com a guerra já dentro de casa, a esposa regressada e Sabaha podendo vir a ter de servir de moeda de troca com o seu filho.
A excentricidade de Kusturica, por vezes faz lembrar Jeunet (ou será o contrário?), mas neste caso em particular já não parece tão atractiva.
Sempre com a guerra dos Balcãs de 1992 por trás, Kusturia deixa lacunas que só são justificadas pela amplitude do título. A vida é um milagre e é ritmo, alegria e música. No entanto, tudo isto é extremamente cansativo num filme tão extenso.
Não se pense que é um filme negativo. Há momentos extremamente positivos, como o burro enquanto símbolo da paixão entre Luka e Sabaha, situações engraçadas, belíssimas cenas com animais e a deliciosa banda-sonora (como não podia deixar de ser). Mas fora isto, tudo soa a mais do mesmo (principalmente para os admiradores da obra do realizador). O que para um realizador que já venceu a Palma de Ouro é bastante negativo.
é por isso um desolador Double Cheeseburger, a impôr um rápido brainstorming a Kusturica.
Posted by: dermot @
11:14 PM
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