Segunda-feira, Novembro 01, 2004
CICLO HALLOWEEN:
Título:
Shining
Realizador: Stanley Kubrick
Ano: 1980
Apesar de ser o escritor vivo com mais obras adaptadas ao cinema, foi só em 1980 que Stephen King, assistiu à mais poderosa adaptação de um dos seus livros, neste caso Shining, por parte de Stanley Kubrick. Tal efeito deveu-se a duas combinações explosivas: a primeira, na combinação entre o Mestre Do Terror e Stanley Kubrick e a segunda, na combinação entre Kubrick e Jack Nicholson.
A primeira resulta num filme estrondoso, que, apesar de boas adaptações como
SHAWSHANK por exemplo, atinge pela primeira vez a intensidade inerente à leitura de uma das novelas de King, tudo graças às capacidades fabulosas do cinema intenso de Kubrick. Quanto à segunda combinação, a consequência é um desempenho assombroso de Jack Nicholson, que tem em
Shining um dos papéis da sua vida.
Shining é a história da família Torrance - Jack (Jack Nicholson), Wendy (Shelley Duvall) e Danny (Danny Lloyd). Jack Torrance é um escritor que aceita um emprego no Hotel Overlook, um hotel de verão isolado nas Montanhas Rochosas, onde vai passar o inverno com a sua família, como guarda da unidade hoteleira, aproveitando a solidão para se dedicar ao seu novo romance.
No entanto, o isolamento vai transformar-se numa fobia e a família vai ter de enfrentar o misticismo de um local construído sobre um antigo cemitério índio.
A melhor descrição de
Shining é imaginar um filme em que Jacques Tati tivesse enlouquecido, filmando um Senhor Hullot psicótico e esquizofrénico numa enorme mansão isolada no meio do nada.
Kubrick aproveita este cenário belíssimo e joga a favor do suspense, do terror e do fantástico, com um tratamento magistral da fotografia arquitectónica, como já tinha feito em
Laranja Mecânica. Influência directa de
Laranja Mecânica, é ainda o elogio à violência que Kucrick concentra aqui sob alucinações, fantasmas e terror, muito terror - o resultado é um dos filmes mais assustadores de sempre.
Do trio de actores, Shelley Duvall é a que menos se destaca, num registo muito semelhante à de Adrian, de
Rocky, mas bastante decente, sempre por trás de uma máscara de pânico generalizado. O jovem Danny Lloyd fazia aqui a sua estreia cinematrográfica, para nunca mais se dedicar à carreira de actor, o que poderá ter sido uma grande perda para a indústria; é que Danny, de apenas 6 anos na altura, está ao nível dos grandes actores, com um desempenho sóbrio e bastante concetrado. Apenas a título de exemplo, faz lembrar o que vimos recentemente em
O Sexto Sentido, com o talentoso Haley Joel Osment. Por fim, Jack Nicholson, que aparece num dos papéis da sua vida. Atravessava na altura uma grande forma e recolhia ainda os louros recentes do Óscar ganho. Em
Shining, Nicholson extravasa toda a sua psicose que a sua figura faz transparecer, enquanto vai evoluindo até à loucura total. O papel de Jack Torrance parece ter sido feito exclusivamente para si, um pouco à semelhança do que acontece em
Confissões De Schmidt, mas para um Nicholson mais velho.
Jack Torrance é um Jack Nicholson abusando de
Voando Sobre Um Ninho De Cucos, como se ainda estivesse sobre o efeito da estricninca de uma pastilha mais forte de
Easy Rider.
Shining é um filme intenso e assustador, que vai crescendo até a um final fabuloso, que contém algumas das cenas clássicas mais fantásticas do cinema de terror.
Kubrick provava aqui (como se ainda restassem dúvidas) que era merecedor de um lugar especial no Olimpo dos realizadores, Jack Nicholson que era um dos grandes actores da sétima arte e Stephen King que era justamente, o Mestre do Terror.
Absolutamente perfeito,
Shining dá todo o significado ao cinema de terror, fugindo ao registo do tradicional cinema do género, em que as personagens se vão colocando em fila ao longo do argumento, para serem degoladas e massacradas de maneiras variadas.
Um Royale With Chesse, versão Super Size.
Título:
The Exorcist
Realizador: William Friedkin
Ano: 1973
Corria o ano de 1973 quando estreava o filme-choque que paralisava a crítica. De facto, mais de três décadas depois,
O Exorcista continua a chocar e a assustar, sendo um dos clássicos de terror com mais adeptos no Mundo.
William Friedkin adaptava ao cinema o romance de William Peter Blatty, depois de umas primeiras escolhas falhadas, mas o resultado não podia deixar de ter sido o melhor.
Apesar da sua temática religiosa,
O Exorcista não é um filme apenas para crentes e não crentes católicos; é um filme para cristãos, budistas, muçulmanos e até ateus. Em suma, é um filme para todos os que gostam e até os que não gostam de cinema.
O Exorcista é a história suprema do Bem contra o Mal, mas não só. Tal como
Sinais, também este é um filme sobre fé e crença humana, perdida e reencontrada.
Linda Blair é Regan MacNeil, uma jovem de 12 anos, cuja personalidade começa a alterar-se drasticamente. A mãe, a conceituada actriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn), depois de consultar uma panóplia considerável de médicos das mais diferente áreas, é aconselhada a procurar um padre para efectuar um exorcismo, como placebo. No entanto, o padre Damien Karras (Jason Miller) vai encontrar algo mais; e o padre Merrin (Max von Sydow) pode confirmar que aquele é a repetição de um encontro tido à doze anos atrás.
Apesar da abrodagem choque, com cenas de profanismo ou masturbação, o facto é que a verdadeira essência do filme é a abordagem subtil da parte humanitária da história. O filme torna-se chocante e assustador de tão real que é. O tratamento das persgonagens chega mesmo a transparecer um Capra escondido.
E aliada a essa abordagem realista e credível, há o desempenho estrondoso de Linda Blair, que tem uma entrega a 100%, de alma e corpo ao papel de possuída, encarnando cenas verdadeiramente arrepiantes, que fazem virar a cara, mesmo após de já termos visto o filme várias vezes.
Impregnado de mensagens subliminares assustadoras, http://www.imdb.com/title/tt0070047 já viu a sua fórmula ser reptida vezes sem conta, sejam elas sequelas, prequelas ou outros filmes (alguém mencionou
Estigma?), mas nunca chegando aos seus calcanhares.
É o mais perturbador e arrepiante filme de sempre. Intemporal e assustador, que dá todo o sentido ao conceito de terror psicológico! Um Royale With Chesse, que se comido na digestão, vai provocar bastantes pesadelos.
Posted by: dermot @
5:30 PM
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