Domingo, Outubro 03, 2004
TUBARÃO:
Título:
Jaws
Realizador: Steven Spielberg
Ano: 1975
Em 1975, Steven Spielberg era ainda um jovem realizador, que ao ver-se confrontado com o argumento de
Tubarão, viu nele o passo seguinte ideal para alcançar o estatuto de um dos maiores realizadores da história do cinema. Era quase uma sequela de
Duel - um confronto entre algo monstruoso e o homem comum. E esse passo revelou-se decisivo.
Tubarão além de ter sido um enorme êxito de bilheteira e além de ter levado Spielberg ao topo da montanha, teve ainda o condão de ter sido o criador dos blockbusters. No entanto, sempre longe das premissas fáceis que hoje impregnam a maioria dos blockbusters: violência gratuita, sangue, explosões e sexo.
Tubarão é a história de Amity, uma localidade veraneante, que em vésperas do fim-de-semana do quatro de Julho, se vê a braços com o ataque de um terrível tubarão branco. Apesar do assassinato brutal de dois jovens, o presidente da câmara (Murray Hamilton), decide contrariar o chefe da polícia local, Martin Brody (Roy Scheider), e mantém as praias abertas ao público, de modo a não prejudicar o negócio.
O que é certo é que o tubarão volta a atacar e é o próprio chefe da polícia, que com a ajuda de um especialista marinho, Matt Hopper (Richard Dreyfuss), e de um marinheiro experiente, Quint (Robert Shaw), vai tentar matar o animal.
Apesar de ser um blockbuster, Spielberg nunca se deixa vacilar ao permitir a violência gratuita. Há mortes violentas, sangue, muito sangue e até explosões, mas nunca de forma gratuita, sempre fundamentadas pelo guião coerente e de grande profundidade. Aliás, o facto de ser um blockbuster, não implica que Spielberg trabalhe as personagens como é exímio, dando-lhes profundidade e fluência, sempre credível e real. Apesar de a fobia à água de Brody ter passado quase ao lado, o relacionamento entre o trio de personagens é feito com grande mestria - a vertente Capra de Spielberg a funcionar.
E este mesmo trio de actores aparece em grande forma: se Schneider é um polícia preocupado com a segurança familiar e com os deveres cívicos e se Dreyfuss dá vida a um oceonógrafo radical, é Robert Shaw quem nos brinda com uma grande representação (talvez o seu último grande papel antes dos problemas de alcoolismo lhe terem destruído a vida), num velho lobo do mar, que é quase uma mistura entre o Popeye e o capitão Jack Sparrow.
Para realizar
Tubarão, o realizador norte-americano recorreu à essência dos famosos filmes de monstros da Universal, que fizeram furor nas salas de cinema a meio do século passado; a única diferença é que desta vez o monstro é bem real.
Uma das particularidades que Spielberg retira destes filmes de monstros é o facto tão particular da banda-sonora (que hoje é um clássico do cinema), sinistra e palpitante, que aparece sempre em coincidência com o animal. Um paralelismo com
O Monstro Da Lagoa Negra; aliás, Spielberg paga o tributo a este clássico, com a clássica cena inicial em que a jovem se banha no mar.
No entanto, ao contrário deste filme, em
Tubarão não são as cenas aquáticas que fazem as delícias visuais, mas sim as cenas em terra, primeiro na praia e depois no barco. Se Spielberg filma uma ambiguidade paz/caos, entre o mar e a praia, isso é graças ao terror e ao pânico que as cenas de público geram no espectador. E durante a empresa no barco de Quint na caça ao tubarão a tensão sobe, tornando-se quase insuportável e o terror torna-se verdadeiramente assustador.
Tubarão foi o primeiro grande sucesso de Steven Spielberg e a sua primeira experiência nas grandes produções. Um thriller de terror que é um verdadeiro clássico da sétima arte, cheio de cenas clássicas.
Se as limitações tecnológicas da época não impediram efeitos especiais primorosos (aliás,
Tubarão está para os efeitos especiais da época como
Extreminador Implacável 2 ou
Matrix estão para as suas épocas, respectivamente), a verdade é que, apesar das sequelas e das posteriores tentativas de abordar a mesma temática, nunca nenhum filme sobre tubarões foi tão espectacular. Mesmo que estes tenham os banhos de sangue de
Tubarão 2 ou os efeitos especiais de última geração de
Perigo Nas Profundezas.
Tubarão foi o primeiro passo na ascenção gloriosa de Spielberg, numa adaptação de um livro de qualidade duvidoda, em tributo aos filmes de mosntros, que esteve na génese dos agora famosos blockbusters.
Um clássico McBacon, para devorar numa só dentada, juntamente com o barco.
Posted by: dermot @
8:14 PM
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