Terça-feira, Outubro 19, 2004
RESIDENT EVIL: APOCALIPSE:
Título:
Resident Evil: Apocalypse
Realizador: Alexander Witt
Ano: 2004
É por demais evidente que a grande indústria cinematográfica atravessa uma grave crise de imaginação. Os blockbusters, na sua grande maioria, teimam em ficar aquém das expectativas e a aposta continua a manter-se em dois alvos específicos: o das sequelas e prequelas de grandes e até pequenos sucessos do passado e o das adaptações para o grande ecrã de, principalmente, heróis de banda-desenhada.
Por isso, a sequela da adaptação de um jogo de computador de enorme sucesso internacional, que ainda permite explorar a vertente do filme de zombies, que voltou a estar ligeiramente em voga depois de
28 Dias Depois e
Dawn Of The Dead, não podia deixar de ser explorada.
No entanto,
Resident Evil: Apocalipse é uma massiva desilusão para qualquer público-alvo; decepciona aqueles que procuram um bom filme, os que procuram um razoável blockbuster e até os fiéis fãs de Resident Evil, enquanto jogo de computador.
É certo que o filme adapta alguns pormenores dos jogos, mas no essencial, não passa disso.
O rock n’ roll e o cinema de acção são bastante semelhantes no que diz respeito às mulheres. Ou seja, tanto num como no outro, a imagem feminina raramente está associada. No entanto, quando está, geralmente são pelos melhores motivos. Mas para isso é preciso poder e não apenas querer. É que Milla Jovovich não é Beatrix Kiddo nem muito menos, Ripley.
Apesar de Sienna Guillory até ter uma entrada no filme ligeiramente interessante, fazendo lembrar
Eles Vivem, tal rapidamente se desvanece, como se até a intenção tivesse sido casual. Depois, a partir daqui, só há Milla Jovovich. A actriz assume todo o protagonismo e espolia todo o filme para si. Ela mata, salta, destrói, espanca, explode e dizima tudo o que se lhe atravessa pela frente.
E depois ainda há Nemesis, a personagem principal (!) maligna; ele que quase deu o sub-título ao filme, antes de ser alterado para Apocalipse, passa completamente ao lado do filme. Além disso, a sua caracterização é medonha: Nemesis apenas tem duas expressões faciais, numa máscara de borracha, digna de qualquer episódio de
Power Rangers.
Resident Evil: Apocalipse é quase como um road movie; três personagens – Alice (Milla Jovovic), Jill Valentine (Sienna Guillory) e L. J. (Mike Epps) - deambulam pelos mais diversos e incoerentes locais da cidade Racoon, destruindo os inimigos que vão aparecendos gradualmente, enquanto fazem e perdem novas amizades, consoante as situações.
Resident Evil: Apocalipse é como que um jogo de computador, em que o argumento é secundário e está dependente da progressão das personagens.
Até para quem está à espera de deixar o cérebro fora da sala de cinema, para assistir a hora e meia de entertenimento e acção, vai arrepender-se –
Resident Evil: Apocalipse é um filme aborrecido e desinteressante.
Quando comecei a escrever estas linhas, esta a pensar em classifica-lo com um Hamburga de Choco. Mas é sem dúvida, um dos filmes mais ruins que vi nos últimos anos. E sendo assim, só mesmo um desolador Pão Com Manteiga.
por dermot
Eu pessoalmente sou um grande seguidor da serie Resident Evil - Biohazard no original japonês, produzido em 1996 por Shinji Mikami - e foi com grande entusiasmo que fui ver a adaptação ao grande ecrã realizada por Paul Anderson em 2002. Apesar de conhecer bem a história bem como as personagens, de Resident Evil apenas tinha a Umbrella Corporation e zombies desmiolados, tudo o resto veio da cabeça do Sr. Anderson, inclusivé a personagem principal, Alice. Nada do "franchise" da Capcom estava lá. Nada de Jill, Chris, Wesker, Tyrant...
Enfim, foi sofrivel. Agora, passados dois anos, depois dos trailers da net, das fotos das filmagens, foi novamente com espectativa que fui ver Apocalipse - onde é que foram buscar este titulo? - Mas aquilo que passou diante dos meus olhos durante 94 minutos, foi uma manta de retalhos rebuscados de Res. E.: 2 e 3, misturados juntamente com um enredo ligeiramente parecido á história original. Enfim, Temos a Jill Valentine (que no filme sabia tudo sobre zombies, contudo era a primeira vez que a vimos), temos o Carlos Oliveira e Nemesis... - a propósito, alguém me pode confirmar a presença da S.T.A.R.S. no primeiro filme?
Contudo, exceptuando algumas semelhanças com "cutscenes" e personagens - por exemplo entre o Dr. Ashford e a sua filha com William Birkin e a sua respectiva filha Sherry de Res2 - de Resident Evil, este Resident Evil: Apocalipse tem muito pouco ou nada.
Então deixo a minha pergunta no ar; isto é uma adaptação ou não? Se não é importante acompanhar minimamente a historia original, porquê fazer um filme sobre um videojogo? Então e se o Hellboy fosse jornalista, usasse cabelo á escovinha e tivesse um cão chamado Milu? E se que a história se baseasse muito pouco na original mas mantivesse algumas semelhanças? Ficavamos com um Tintin que veio do inferno e foi adoptado pelos serviços secretos americanos depois da 2ª guerra mundial para combater o mal. Paul Anderson bem que poderia ter chamado a este filme "Movie With Zombies 2 - the sequel to Movie With Zombies 1" E se não houve a minima preocupação em manter-se fiel ao visual do jogo, porquê o "feticheiro" uniforme de Jill? Algo que funciona bem no mundo estilisado dos videojogos, tem que ser adaptado à realidade. Para não falar no "Toxic Avenger Nemesis"... céus era medonho... só tinha duas expressões: de boca fechada, e de boca aberta.
Quando Anderson realizou
Combate Mortal, mesmo naquela altura com o meu pouco juizo e sentido de realidade pensei - "Nunca mais vão dar dinheiro a este sujeito para fazer outro filme na vida dele!" Enganei-me... Hei-de por um post no www.petitiononline.com para pararem de dar dinheiro ao P. Anderson....eu seja ceguinho.
Um Happy Meal não alimenta, não sabe particularmente bem, e só os putos compram porque traz um brinquedo. Apocalipse é isso mesmo....neste caso, traz uma Milla "Ai Jesus" Jovovich como prémio de consolação
por vitrugo
Posted by: dermot @
11:08 PM
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