Terça-feira, Outubro 05, 2004
REBELDE SEM CAUSA:
Título:
Rebel Without A Cause
Realizador: Nicholas Ray
Ano: 1955
Apesar da sua precoce carreira, apenas com três filmes no currículo, devido ao seu falecimento num trágico acidente de viação, James Dean marcou uma geração, influenciou as vindouras e ainda hoje é um ícone da cultura norte-americana.
Rebelde Sem Causa foi o ponto alto dessa curta carreira, que criou a sua imagem de marca de rebelde, no seu famoso blusão vermelho (que esteve para ser castanho, se se tivesse mantido a decisão da produtora em realizar o filme a preto e branco).
Nicholas Ray foi o responsável pela criação do mito. Prematuramente comparado a Brando, James Dean tinha o seu cunho bastante pessoal de representar, um enorme carisma e estilo, muito estilo.
O filme é uma enorme metáfora à volta do título,
Rebelde Sem Causa. James Dean é Jim Stark, um dos vértices do triângulo principal, que engloba a bela Natalie Wood no papel de Judy e o então jovem Sal Mineo, no papel de Plato (referência ainda a um jovem que começava também a dar os primeiros passos no mundo do cinema, de seu nome Dennis Hopper).
Jim Stark é um jovem perturbado, em rebeldia constante com a vida, insatisfeito com a sua condição actual e com as possibilidades à sua volta. Porta-voz do grito de revolução de uma juventude estagnada, Stark (Dean, principalmente) é o rosto da máxima
velho demais para viver, jovem demais para morrer.
A sua mudança para uma nova cidade vai confronta-lo com novos problemas; confrontos com a gangue local, atrações perigosas com a rapariga errada e inesperadas amizades difíceis.
Rebelde Sem Causa é antes de mais, um drama familiar. Longe de celebrar a juventude de
Brilhantina, é um retrato da juventude perturbada de
Os Marginais, mas virado para dentro, numa introspeção.
Nicholas Ray faz uma soberba abordagem pessoal da sociedade juvenil norte-americana, apontando no entanto, não uma juventude disfuncional, como em
Kids por exemplo, mas sim uma educação deficiente.
Rebelde Sem Causa é uma crítica à forma descontrolada da educação dos jovens.
Apesar de algumas lacunas e de algumas partes sem força do argumento, o filme prima por essa abordagem dos jovens. Não é uma má juventude, é antes uma má educação. E Dean é o grito de revolta! Numa interpretação magnífica, com influências nítidas de Brando em
Há Lodo No Cais ou
O Selvagem, Dean é um actor magnífico, deveras realista - é impressionante o realismo e a credibilidade de Dean, quando explica aos pais o motivo pelo qual se encontrava metido em problemas, ao apenas exclamar "Tive que o fazer!", como se fosse a coisa mais natural do Mundo. E nós acreditamos!
Além da representação, também o realizador apresenta um condizente trabalho final, disfarçando as lacunas argumentativas, sempre com um trabalho certinho, mas sem nunca descurar alguns planos mais inovadores e arrojados, ou algumas sequências inesquecíveis, como a clássica corrida de carros para o abismo.
Rebelde Sem Causa é um clássico, que como se não bastasse, ainda é obrigatório por ter imortalizado James Dean. Um drama familiar bastante realista, que apesar de ter sido novamente abordado várias vezes, nunca conseguiu ser superado.
Velho demais para viver, novo demais para morrer - um McBacon, para ir mastigando, enquanto se pensa nas possibilidades da vida.
Posted by: dermot @
4:53 PM
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