Segunda-feira, Outubro 11, 2004
O GRANDE DITADOR:
Título:
The Great Dictator
Realizador: Charles Chaplin
Ano: 1940
Não há muito a dizer acerca de
O Grande Ditador, basta atestar os factos. Com efeito, considerados por muitos como o melhor filme de Chaplin e apesar das filamgens se terem iniciado três anos antes,
O Grande Ditador foi estreado em 1940, numa altura em que a ditadura nazi de Adolfo Hitler atingia o seu apogeu. Este gesto de grande coragem tinha razão de ser, já que na manga, Chaplin trazia uma sátira política maravilhosa, que tinha o líder nazi como alvo.
Charles Chaplin, o famoso Charlot, um dos mais famosos actores de todo o mundo e considerado pela grande maioria como o pai da comédia, realizou e protagonizou esta comédia, em que satiriza o regime nazi em particular e todos os regimes totalitários em geral.
O Grande Ditador é não só a história de Adenoid Hynkel, o tirano ditador de Tomania, mas também a história de um barbeiro judeu, habitante do gheto. Chaplin encarna estas duas personagens, que paralelamente vão co-habitar num enredo de peripécias, até o segundo ser confundido com o primeiro e ocupar o seu lugar.
Na sua primeira experiência no cinema falado, Chaplin não descura a sua famosa personagem do
vagabundo; são frequentes as cenas mudas, de peripécias visuais e muita representação corporal, sempre adornadas com o característico
trampwalk, o chapéu de côco e a bengala.
O Grande Ditador é assim uma divertida comédia, que ridiculariza os bons costumes da aristocracia europeia, satiriza os sistemas políticos desumanos e aponta o dedo à quebra dos valores humanitários, em que Chaplin, em grande forma, mostra porque é um dos grandes mestres da representação.
Assistir a
O Grande Ditador é como assistir a um conjunto de peripécias e sequências a que já assisitimos vezes sem conta. No entanto, o que nos esquecemos algumas vezes, é que estas cenas é que são as originais. E a qualidade é muito superior.
Em
O Grande Ditador, Adenoid Hynkel é uma versão (ainda mais) ingénua do tirano Dr. Evil, de
Austin Powers; o próprio barbeiro e a sua representação física e facial, parece ser o original de uma fotocópia com o toner na reserva chamada
Mr. Bean; por falar em representação, há algo naquele relacionamento com a envolvente, que faz lembrar o Sr. Hulot, de Tati; a crítica dos bons costumes culturais, não é mais do que algo que vimos à posteriori em
Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho, por exemplo; e o caos argumentativo de certas peripécias, é o que nos habituamos a ver em Woody Allen. E claro que toda esta sátira foi o ponto de partida para o que agora é habitual (e normalmente de qualidade duvidosa), como
Aonde Pára A Polícia ou
Um Susto De Filme.
Charles Chaplin foi um dos mestres da sétima arte e merece ser lembrado constantemente. E
O Grande Ditador é uma das grandes maneiras de ser recordado. E numa altura em que a actividade política e o cinema opinativo anda nas bocas do Mundo (alguém mencionou
Fahrenheit 9/11), vale a pena assistir a este clássico e atestar como as coisas podem ser feitas de modo diferente e bem mais interessante.
Um McRoyal Deluxe, com toda a pompa e circunstância que o grande ditador da comédia merece.
Posted by: dermot @
11:42 PM
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