Sábado, Outubro 30, 2004
GANG DOS TUBARÕES:
Título:
Shark Tale
Realizador: Bibo Bergeron, Vicky Jenson e Rob Letterman
Ano: 2004
Gang Dos Tubarões desde o primeiro momento que carregou com uma pesada herança: primeiro, porque era o sucessor da obra-prima da Dreamworks,
Shrek, a animação de maior sucesso das últimas décadas; e segundo, porque abordava a temática aquática da última animação de grande sucesso,
À Procura De Nemo, da rival Pixar. Fora isso, ainda arcava com a responsabilidade de contar com um super-elenco de luxo: Robert De Niro, Will Smith, Angelina Jolie, Jack Black, Renée Zellweger e Martin Scorcese.
Quando assim é e as expectativas são muitas, a desilusão é ainda maior quando as coisas correm mal. E é com essa sensação que ficamos no final.
Gang Dos Tubarões é a história de Recife do Oriente, um enorme e povoado coral, qual alegoria nova-iorquina subaquática. Aí vão desenrolar-se duas histórias paralelas, que inevitalvelmente se vão cruzar: de um lado temos o peixe Oscar (Will Smith) e a sua amiga Angie (Renée Zellweger), ambos trabalhadores de uma lavagem automática de baleias; e do outro lado está a máfia dos tubarões, de Don Lino (Robert De Niro) e do seu sucessor, mas vegetariano, Lenny (Jack Black). O elo de ligação entre estes dois lados é Sykes (Martin Scorcese), o dono da lavagem automática de baleias.
Oscar é um peixe que quer sair do anonimato e abraçar a fortuna e a fama; Lenny é um tubarão vegetariano, algo inadmissível para alguém da sua espécie. E ambos vão cruzar esforços para atingirem os seus objectivos.
O certo é que o filme desilude. O argumento é frouxo e não aguenta as expectativas. Muitas lições de moral, numa óptica claramente infantil, apesar das piadas avançadas em certos momentos. Os gags são por demais óbivos e nunca permitem as gargalhadas de
Shrek ou
À Procura De Nemo, apenas esgares e sorrisos.
Um ponto interessante é a abordagem do mundo da máfia, versão tubarão, com uma prestação notável de dois especialistas na matéria, De Niro e Scorcese e a abordagem, que começa a ser frequente nos filmes animados, de paródia a famosos sucessos da sétima arte. Aqui, as referências são óbvias a
Tubarão (claro), a
Ali ou a
Titanic.
Tive a infelicidade de assistir à versão traduzida. Digo infelicidade, porque apesar das traduções estarem cada vez melhores - basta atentar ao caso recente de
Shrek 2 -
Gang Dos Tubarões fica claramente a perder. Tudo porque o sotaque e o estilo afro-americano de Will Smith não tem nada a ver com o sotaque africano de Rui Unas. E apesar da óptima prestação da dupla de alforrecas, Ennie e Bernie, o certo é que Doug E. Doug e Ziggy Marley fazem-no melhor.
Há algo na animação actualmente, que me escapa à compreensão, que é a preocupação nos aspectos tecnológicos visuais do filme, em detrimento do próprio argumento, algo que já levou a Disney a encerrar a produção de filmes segundo a animação tradicional, algo impensável há bem poucos anos atrás.
A vantagem de ser um filme animado não é o facto de permitir contar algo fisicamente impossível?
É que o progresso tecnológico está a transformar o desenho animado, cada vez mais, em realidade; em
Gang Dos Tubarões, as personagens estão fantasticamente semelhantes aos actores que lhes dão voz. Não deixa de ser fascinante, mas às tantas já não estamos a assistir a uma animação, mas sim a Will Smith, Renée Zellweger e companhia. E toda a mística se desvanece...
Como se a aparência do filme condicionasse a sua qualidade!
Gang Dos Tubarões é assim, e apenas, um agradável filme de animação. Longe da qualidade das últimas grandes produções dos grandes estúdios, arrisca-se a tornar-se em mais um filme a animar as tardes animadas de domingo, num futuro próximo, ao lado de
AntZ - Formiga Z, por exemplo.
Um entertenimento semelhante a um Double Cheeseburger (mas num dia com muita fome mesmo, avisa-se à partida) - agradável de se comer, mas longe de satisfazer.
Posted by: dermot @
6:34 PM
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