Quarta-feira, Outubro 20, 2004
FAHRENHEIT 9/11:
Título:
Fahrenheit 9/11
Realizador: Michael Moore
Ano: 2004
Michael Moore decidiu empenhar-se em fazer com que George W. Bush não voltasse a ocupar o cargo de presidente dos Estados Unidos da América. Para isso, o meio encontrado foi o de filmar um documentário sobre o mandato actual de Bush, de forma a desencorajar os eleitores a reelegerem-no.
Se Michael Moore teve ou não sucesso no seu objectivo, é coisa que só saberemos um dia após as eleições presidenciais norte-americanas. No entanto, Moore falhou redondamente, se queria mesmo filmar um documentário.
De facto, após a obra-prima, vencedora de um Óscar,
Bowling For Columbine, Moore não conseguiu manter o teor documentarista.
Fahrenheit 9/11 é então um panfleto político, parcial, manipulatio e opinativo.
Todos conhecemos o carácter interventivo de Moore, o seu arrojo, o seu sarcasmo e o seu descaramento. Primeiro, ao mostrar de forma genial, a desertificação da sua cidade natal, Flint, em
Roger & Me (apesar de também ser resultado de uma luta pessoal,
Roger & Me tem uma excelente vertente documentarial paralela à tentativa de Morre se encontrar com o presidente da General Motors); e segundo, com o já citado
Bowling For Columbine, onde pinta um retrato genial da sub-cultura norte-americana.
No entanto,
Fahrenheit 9/11 é apenas um filme 100% de intenção política, que transpira toda a opinião pessoal do realizador.
Ou seja,
Fahrenheit 9/11 é uma exclente propaganda política. Porque de um lado consegue cumprir na totalidade o seu principal objectivo, de desacreditação de George W. Bush, expondo factos pertinentes e bem montados; e porque de outro lado, Moore está perfeito naquilo que sabe fazer melhor, que é conseguir captar todos os pontos fracos dos alvos em questão com uma precissão assustadoramente eficaz, levando-os ao ridículo.
Fahrenheit 9/11 tem ainda uma excelente e oportuna banda-sonora e momentos telivisivos verdadeiramente memoráveis.
No entanto, se Moore consegue não cair na tentação de procurar a perturbação fácil, ao não mostrar qualquer imagem directa dos atentados de 11 de Setembro, acaba por colocar o pé em falso ao enverdar pelas imagens chocantes da actual guerra do Iraque.
Fahrenheit 9/11 é um saboroso McRoyal Deluxe, mas que tem que ser sempre consumido segundo duas condições: sobre a condição de não é um documentário, mas sim um panfleto político e sobre a condição de que
Oldboy continua a ser um grande injustiçado por não ter vencido a Palma de Ouro, em Cannes.
Posted by: dermot @
9:26 PM
|