Quarta-feira, Setembro 29, 2004
A VILA:
Título:
The Village
Realizador: M. Noght Shyamalan
Ano: 2004
Apesar da sua curta filmografia, M. Night Shyamalan é já uma das certezas do cinema actual e um dos mais interessantes realizadores em actividade. Apelidado de "O Feiticeiro", vêm nele o sucessor de Hitchcock e o novo mestre do terror.
Este epíteto acaba, no entanto, por estigmatiza-lo; depois da sua estreia com a sua ainda obra-prima paranormal
O Sexto Sentido, Shyamalan amadureceu e evoluiu, sendo os seus dois últimos filmes -
Sinais e
A Vila - dois registos mais clássicos e humanistas. No entanto, quase toda a gente continua a ir assistir os seus filmes querendo ver uma obra de terror. Claro que a decepção leva-os a rotular os filmes como desilusão. Mas se Shyamalan nunca filmou um filme de terror, porque teimam em esperar um?
A Vila é o retrato de uma aldeia isolada num vale no centro de um bosque, parada no tempo no final do século XIX. Por sua vez, o bosque é habitado por estranhas criaturas, cujas tréguas levam-nos a co-existir segundo determinadas normas. Até que Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) parece querer quebrar as regras...
Seguindo o registo da sua última obra,
Sinais, Shyamalan volta a presentear-nos com um filme sob contornos clássicos, humanistas e deveras realista. Apesar de tratar o fantástico pela segunda pessoa, Shyamalan usa-o apenas como pretexto para abordar as causas humanas. Se em Sinais eram os extraterrestres o pretexto para um filme sobre a fé humana, aqui são as criaturas o pretexto para um filme sobre o amor.
É talvez o maior filme sobre o amor dos últimos tempos. Não o amor enquanto romance, como
O Despertar Da Mente, mas o amor enquanto causa suprema - porque como refere William Hurt a certa altura no filme,
é o amor que faz girar o Mundo. E em
A Vila é o amor que rege todo o filme; o amor por uma pessoas perdida, o amor ao próximo, o amor por uma pessoa querida...
M. Night Shyamalan volta a justificar porque vêm nele o sucessor de Alfred Hitchcock. Se em
Sinais o justificava com o uso superior do suspense, em
A Vila, puxa para si o famoso macguffin de Hitchcock. O filme é um puzzle disperso que se vai encaixando com o decorrer dos minutos.
Dono de um baralho imenso de influências e referências, Shyalaman joga com as cartas de
King Kong - a povoação sitiada - de
O Projecto De Blair Witch - a exploração pela floresta - e com o terror psicológico de Polanski. E depois volta a baralhar e a dar novas cartas.
É ainda dono de um estilo próprio que lhe granjeou sucesso; mestre na fotografia, Shyamalan é exímio nos twists divididos ao longo do filme, que levam a constantes viragens bruscas na narrativa.
Um aparte ainda para o fantástico leque de actores. Se Shyamalan tem a melhor participação até à data e se Joaquin Phoenix - apesar de não ser grande apreciador das suas faculdades representativas - cumpre na perfeição o seu papel, o destaque vai todo para a jovem Bryce Dallas Howard.
Bryce Dallas Howard brilha com toda a força e é uma das dávidas do filme, prometendo um futuro risonho. Também Sigourney Weaver reaparece em bom estilo, quiçá o seu melhor desempenho desde
Alien.
O resultado é então, um filme intenso, assustador por vezes, comovente por outras. Acaba por não ser tão bom quanto o seu antecessor
Sinais, mas não deixa de ser um exclente passo na carreira do realizador indiano.
É um McBacon, cuja reputação de Shyamalan permite trasformar em um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
11:52 AM
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