Quinta-feira, Setembro 02, 2004
12 MACACOS:
Título:
Twelve Monkeys
Realizador: Terry Gillian
Ano: 1995
Apesar da fama que os Monty Phyton's lhe granjearam, Terry Gillian ainda não consegue ser reconhecido pelo seu trabalho enquanto realizador. E neste campo, há que referir que os seus registos nada têm de semelhante com os seus anteriores, com o grupo inglês de comediantes - são tão diferentes, como a noite o é do dia.
Terry Gillian é ainda, neste campo, conhecido por ser um perfecionista, dado ao pormenor e ao detalhe mais minuncioso, o que o leva a entrar constantemente em batalhas com as produtoras; longe ainda de concordar com o caminho das grandes produtoras, direccionadas para o grande público, rumando pelo caminho das grandes massas, Gillian viu este seu projecto ser interrompido várias vezes e chegou mesmo a estar em perigo a sua conclusão. No entanto,
12 Macacos foi mesmo realizado e com todas as pretensões de Gillian, sem uma única alteração. E ainda bem!
Bruce Willis encarna James Cole, um prisioneiro sobrevivente de um futuro apocalíptico, em que a raça humana se viu destruída por um vírus e relegada para uma vida no subsolo terrestre. Voluntário à força, Cole é lançado no tempo, de volta a 1996, na tentativa de descobrir pistas que levem à origem do vírus, para que no futuro (e seu presente) este possa ser estudado, de forma a ser encontrada uma cura, que impeça o armagedão.
Nessa sua jornada, Cole vai deparar-se com a inesperada aliança da psiquiatra Kathryn Railly (Madeleine Stowe) e com a figura caricata de Jeffrey Goines (Brad Pitt).
Parece complicado. E é; mas não tanto quanto parece! Terry Gillian, baseado no filme francês
La Jéete, realizou uma jornada futurísta de salvação e redenção da humanidade. Pegando no conceito usado em
O Extreminador Implacável 2: O Dia Do Julgamento Final, em que o retorno ao passado é a solução para impedir um futuro de perdição, reinventando a história presente,
12 Macacos é mais que isso.
Gillian criou um cenário futurista de contornos de
A Cidade Das Crianças Perdidas e cruzou-o com outros cenários contemporâneos, mas de diferentes anos da década de 90; nesta conjugação de três dimensões temporais, levantou marcos comuns, dissimulados, que se vão revelando ao longo do filme, surpresa e inesperadamente, de forma magistral, contribuindo assim para uma peça complexa, mas extremamente coerente.
As personagens desenvolvem-se de maneira soberba, principalmente Willis, que tem aqui uma representação fora dos moldes comuns, fugindo a todos os seus próprios clichés. No entanto, o maior desempenho é o de Brad Pitt, que tem aqui, quiçá, o papel da sua vida (apesar de pouco lembrado), interpretando um doente do manicómio, em primeira instância, evoluindo para um extremista defensor dos direitos dos animais, com todos os sinais que o levaram ao hospício da primeira vez.
Willis e a sua personagem principal, evoluem de um estado mental oposto ao de Madeleine Stowe; se no princípio, esta tomava-o como louco, internando-o no hospital psiquiátrico, este sujeito ao mais pertubante rol de experiências, acaba por se convencer da sua insanidade, quando esta toma conta da veracidade das suas palavras. Esta insanidade é aproveitada da melhor maneira por Gillian, baralhando constantemente as três realidades temporais, recorrendo a planos inconvencionais e manietando todo o desenvolvimento cénico, deixando-nos a nós próprios com dúvidas no que vemos - se é um passado sem futuro certo, ou se é um futuro sem passado certo!
Aliás, é esta a frase-chave do filme. Uma aventura futurista manietada, saudavelmente alucinogénea, mas extremamente coerente, em que nunca perdemos o fio à meada, que é solto constantemente nas mais variadas direcções, para no final, tudo fazer sentido. A história já está feita desde o início; não é mais que um desenrolar em círculos, desvendando os caminhos obscuros. Mas quando esses caminhos nos são revelados, é como se nos fosse revelada a mais escondida e ansiada verdade.
E Gillian ainda nos preza com uns pozinhos mágicos, subliminares, da sua condição de ex-Monty Phyton, especialmente durante a sequência no manicómio, onde Brad Pitt tem oportunidade de brilhar.
Terry Gillian é um realizador bastante interessante na área do fantástico; e é um contador de histórias. E
12 Macacos é, sem dúvida, o seu maior trabalho, um filme consistente e deveras interessante.
Um McRoyal Deluxe, que só peca por tardio.
Posted by: dermot @
6:21 PM
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