Segunda-feira, Agosto 02, 2004
SINAIS:
Título:
Signs
Realizador: M. Night Shyamalan
Ano: 2002
M. Night Shyamalan é um dos mais interessantes e excitantes realizadores da actualidade, estatuto que ganhou principalmente após a obra-prima
O Sexto Sentido.
Especialista no sobrenatural, Shyamalan é ainda exímio a tratar a especifidade humana e este
Sinais, foi mais um filme que abordou ambas as temáticas.
Mel Gibson é um reverendo retirado da actividade, devido à perca da crença religiosa, depois de acontecimentos passados. Vivendo numa pequena vila em Pennsylvania, com o seu irmão mais novo Merril (Joaquin Phoenix) e os seus dois filhos, Bo (Abigail Breslin) e Morgan (Rory Culkin), a família vê-se a braços com o aparecimento de estranhos sinais feitos nos seus campos de milho. Posteriormente, vêem-se a revelar indícios extraterrestre, orientações geográficas para uma anunciada invasão alienígena.
Apesar de Shyamalan ser um mestre do sobrenatural e apesar deste filme tratar da temática extraterrestre,
Sinais não é um filme sobre a ameaça alienígina; é primeiramente, um filme sobre a perene condição humana, sobre a existência de Deus e sobre a não-existência de Deus, sobre a fé e a crença, sobre a sorte e o destino. É uma introspeção intensa pessoal, no exorcismo de fantasmas e no confronto de crenças pessoais em resultado com os desígnios do destino. E Shyamalan traça toda esta história com uma invasão extraterrestre - o armagedão como motivo de toda a redenção pessoal.
É por isso que o final parece deslocado do filme. Bombardeado por inúmeras críticas negativas, o final parece um pouco deslocado ou exagerado dentro do filme; no entanto, isto apenas acontece se o filme for tomado como um filme de ficção científica; o que não o é.
Claro que talvez toda a sequência final não tenha sido o melhor resultado. No entanto, a intenção principal foi conseguida. Shyamalan volta a abordar ambos os temas favoritos, que já tinha tratado nas suas duas anteriores experiências, mas desta vez concentrando-se na condição humana.
No entanto, o realizador indiano está para o paranormal, como Hitchcock está para o suspense; e por isso,
Sinais é um filme fabuloso também neste aspecto. Visualmente estimulante e forte psicologicamente, Shyamalan trata de uma invasão e pilhagem alienígena duma maneira deveras natural, fora do artificialismo patriótico de
O Dia Da Independência, conjugando um
A Guerra Dos Mundos com um
Encontros Imediatos Do 3º Grau. O suspense (são notórias as influências de Hitchcock e de filmes como
Os Pássaros), o realismo e a a maneira especial do realizador filmar, numa atmosfera rural em tons amarelados dos campos de milho, tornam este
Sinais num exclente prosseguimento da carreira do realziador, depois de
O Sexto Sentido e
O Protegido.
E depois há ainda a magnífica banda-sonora de James Newton Howard (responsável por clássicos como
Encontros Imediatos Do 3º Grau e
Psycho), que complementa o filme num resultado intenso de terror psicológico.
Sinais é um magnífico filme. É um filme de extraterrestres que não é sobre extraterrestres. Sob esta face do prima, o final que tantas críticas pode suscitar ganha outro sentido - se tomarmos
Sinais como um puro filme de ficção científica, então aí tudo seria muito incoerente; se chovesse, por exemplo, não teria havido invasão alienígena. No entanto, não é um bom final, não tem a força que tem o twist de
O Sexto Sentido, por exemplo.
Por isso, o filme não chega ao Le Big Mac que devia merecer. E fica-se pelo McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
7:07 PM
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