Sábado, Agosto 28, 2004
ROGER E EU:
Título:
Roger & Me
Realizador: Michael Moore
Ano: 1989
Antes de andar nas bocas do mundo, Michael Moore estreara-se no grande ecrã com o seu primeiro documentário, formato no qual se especializou. Com efeito,
Roger E Eu, apesar de datado com uma década de diferença da sua obra-prima,
Bowling For Columbine, apresenta já todas as características que se tornaram a sua imagem de marca.
Roger E Eu é um documentário sobre a cidade americana de Flint. Berço da multinacional General Motors, Flint cresceu e desenvolveu-se à volta da fábrica e do seu crescimento próspero. No entanto, quando na década de 80, Roger Smith - o patrão da GM - decidiu fechar onze das suas fábricas (sendo a de Flint uma delas), para as reabrir no México onde a mão-de-obra era mais barata, 30 000 pessoas foram colocadas no desemprego, nunca mais recuperando a cidade de tamanha depressão, sendo hoje quase uma cidade fantasma.
Moore, natural de Flint, sentiu-se injustiçado com a atitude de Roger Smith e partiu numa perseguição ao magnata, na tentativa de o trazer até à cidade.
Michael Moore não odeia a América, como alguns apregoam. Talvez o seu problema seja mesmo ser demasiado patriótico, o que o faz apontar o dedo às injustiças, não se limitando a colocar o dedo na ferias, mas pressionando-o com força.
Roger E Eu é em tudo semelhante ao carácter geral dos recentes
Bowling For Columbine e
Fahrenheit 9/11: agradável de se assisitir, divertido e interessante. Desta vez o tema não era algo tão grandioso como a campanha contra as armas na América ou, principalmente, como a campanha anti-Bush, o que tornou complicado realizar o documentário com registo de longa-metragem. No entanto, Moore resolveu a situação da melhor maneira, preenchendo os vazios com imagens de arquivo (com as quais já se especializou em manipular) e com oportunas histórias paralelas, de miséria e más decisões - Moore aponta o dedo aos caçadores por diversão e faz uma abordagem ao "consumo" de armas no país, por exmeplo.
É certo que Moore não é um documentarista isento; manipula factos e entrevistas. No entanto, o seu descaramento e a sua tentativa de expor sempre os aspectos mais ridículos de personalidades públicas, transformam-se em pérolas, enquanto que a sua imparcialidade ajuda a transformar o seu ponto de vista no mais correcto; ou pelo menos, no mais humanitário.
Michael Moore é um homem do povo e de causas humanas, o que lhe granjeia uma admiração imediata. É certo que não é o mais correcto documentarista, mas é um soberbo opinador.
Roger E Eu não é a sua melhor obra documental, mas é um exclente aperitivo antes de
Fahrenheit 9/11. E onde está escrito aperitivo deve-se ler McBacon.
Posted by: dermot @
7:04 PM
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