Domingo, Agosto 15, 2004
PESADELO EM ELM STREET:
Título:
A Nightmare On Elm Street
Realizador: Wes Craven
Ano: 1984
Wes Craven foi o grande responsável pela criação dos teen slasher movies. De facto, o realizador foi o criador de uma fórmula de sucesso, que posteriormente foi copiada até à exaustão, quer por outros realizador, com títulos como
Sei O Que Fizeste O Verão Passado e
Terror No Dia De São Valentim, ou por si próprio, com a sua triologia,
Gritos.
Wes Craven reinventou os filmes de terror para as últimas décadas do século passado, apostando tudo no impacto visual, com autênticos banhos de sangue, e nos constantes e inesperados ataques-surpresa, em detrimento de uma boa história. E estranhamente, resultou.
Sucintamente, a fórmula consiste em pegar num grupo de adolescentes, com todos os problemas que a adolescência norte-americana contemporânea comporta, eleger um assassino em série, demente e psicótico, e dar-lhe um motivo, por mais pequeno que seja, para exterminar o grupo de jovens, um a um, das mais variadas e bizarras formas, à boa maneira de
Massacre No Texas.
A criação assassina de Wes Craven em pesadelo, foi o já lendário Fred Krueger (Robert Englund), o demente assassino, que à semelhança de Jason Voorhees, vai perseguir os jovens Nancy (Heather Langenkamp), Tina (Amanda Wyss), Rod (Jsu Garcia) e Glen (Johnny Depp), durante os seus sonhos, como vingança pela sua morte às mãos dos pais dos jovens.
Heather Langenkamp é a figura central do filme, que apesar das tentativas de ser um argumento maduro, é pulvilhado por diálogos surreais e péssimos momentos. Além disso, Heather Langenkamp consegue mostrar logo nos primeiros minutos porque é que a sua carreira nunca teve mais nenhum degrau significativo. Pior, só Ronee Blakley, no papel da sua mãe, cuja sua representação é sinónimo do que um pé-de-cabra faz.
Pelo meio deste elenco, surgem dois nomes: o de John Saxon e o do jovem Johnny Depp, que fazia a sua estreia no cinema e que hoje é uma já emergente lenda do cinema.
Por entre todas as falhas argumentativas e as incoerências cénicas, destaca-se no entanto a imaginação retorcida de Wes Craven. Com efeito, os sonhos ao longo do filme são verdadeiras peças de surrealismo, aterradoras, misteriosas e imaginativas. No entanto, com o passar do tempo, também a imaginação de Craven vai perdendo fulgor, tal como a tentativa de apostar na claustrofobia, que é sempre cheia de falhas. Tal acontece também com as cenas das mortes; enquanto que a primeira é um terrífico momento de terror explícito, as seguintes começam a perder vigor, culminando com a cena da morte de Depp, que se torna até ridícula, só tendo comparação com uma matança do porco.
Freddy Krueger é um assassino onírico aterrador, que tem estilo, mas não tem o charme de Jason Voorhees. Por isso, a sequência final, em que Craven parece misturar um mau episódio de
Sexta-Feira 13 com
Sozinho Em Casa, acaba por tornar-se um suplício, mas em compensação, divertida.
Pesadelo Em Elm Street é um fraquinho Happy Meal. No entanto, há que dar mérito a Wes Craven por ter sido o criador dos teen slasher movies e principalmente, o criador da personagem de Freddy Krueger. Há ainda que saber lhe dar o devido reconhecimento por ter salvo e transformado no que é hoje a New Line Cinema e sobretudo, por ter dado a oportunidade de debutar a uma estrela, de seu nome Johnny Depp. Por tudo isto e ainda pelos (muito) poucos, mas óptimos momentos oníricos e de terror visual, o Happy Meal acaba por se transformar num positivo Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
12:08 PM
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