Domingo, Agosto 08, 2004
O MONSTRO DA LAGOA NEGRA:
Título:
Creature From The Black Lagoon
Realizador: Jack Arnold
Ano: 1954
A meio da década passada, a Universal apostou nos filmes de monstros, que teve o seu auge nos anos seguintes. Apesar do grande número de filmes do género, a grande maioria era de qualidade duvidosa, o que não impediu que uma grande fatia deles se tornassem em filmes de culto.
O Monstro Da Lagoa Negra foi a primeira grande pérola da Universal. Filmado em 3D, uma técnica inovadora na altura, foi o primeiro filme subaquático filmado sob esse formato e rapidamente bateu redordes de bilheteira, tornando-se num clássico intemporal, ainda hoje bastante agradável.
O que é certo é que
O Monstro Da Lagoa Negra foi a génese para todos os seus seguidores no campo dos filmes de monstros. Sem a denomindada Criatura, decerto que hoje não assistiríamos a certos
Alien ou a um certo
Predador, apenas para citar duas personagens actualmente em voga.
Carl Maia (Antonio Moreno) é um arqueólogo que descobre nas margens do rio Amazonas, um estranho fóssil de um estranha criatura marinha. Depois de levar a peça a estudo por parte de especialistas, é organizada uma expedição para resgatar o resto do esqueleto perdido. Partem assim dois especialistas, David Reed (Richard Carlson) e Mark Williams (Richard Denning), acompanhados pela bela Kay (Julie Adams).
A expedição vai acabar por fixar-se na Lagoa Negra, um local assombrado pelas lendas de estranhas criaturas, que se vão provar ter alguma ponta verídica. Com efeito, o local não é mais que o habitat natural de um estranha criatura anfíbia, um elo perdido entre as criaturas marítimas e terrestres.
Jack Arnold realizou esta primeira experiência com uma estranha criatura e conseguiu nunca cair na tentação do exagero e das tarefas megalómanas, como por exemplo, as outras duas sequelas de qualidade duvidosa -
A Vingança Da Criatura e
A Criatura Anda Entre Nós.
O Monstro Da Lagoa Negra é um filme extremamente realista, onde as poucas falhas identificadas são facilmente justificadas pela ingenuidade da época. Jack Arnold soube tirar partido da magnífica caracterização do montro, que é um dos mais realistas exemplares da altura, magnificamente encarnado por um exímio mergulhador. A fotografia é maravilhosa, o que transoforma
O Monstro Da Lagoa Negra em um dos mais belos filmes subaquáticos - o que dizer da cena em que a criatura se apaixona pela forma elegante de Julie Adams (envergando um arrojado e sensual fato-de-banho branco), em que ambos nadam numa cumplicidade íntima, no cenário cristalino das águas brasileiras do rio Amazonas. A cena inicial de
Tubarão é quase plágio autêntico a esta sequência.
Com efeito,
Tubarão é talvez um dos melhores exemplos da influência de
O Monstro Da Lagoa Negra no cinema posterior do género; tal como no filme de Spielberg, também aqui Jack Arnold aposta na banda-sonora, não só para abrilhantar as magníficas sequências subaquáticas silenciosas, mas principalmente para introduzir a figura da criatura com o fabuloso tema dedicado ao monstro, que toca sempre ele aparece, à semelhança do que acontecia com o tubarão - um dos temas clássicos do cinema de suspense.
O Monstro Da Lagoa Negra é mais uma das pérolas da ficção-científica, mais propriamente dos filmes de monstros. Uma pérola de culto, intemporalmente admirada e repetidamente imitada. Uma influência quase inconsciente do cinema contemporâneo que adivinha um remake para um futuro não muito distante.
É sem dúvida um dos mais belos filmes filmados debaixo de água, com uma fotografia maravilhosa.
UM McBacon, para desfrutar cada pedaço e ainda pedir sobremesa.
Posted by: dermot @
1:59 PM
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