Sexta-feira, Agosto 06, 2004
O DIA EM QUE A TERRA PAROU:
Título:
The Day That Earth Stood Still
Realizador: Robert Wise
Ano: 1951
Na década de 50, o cinema assumia-se como uma arte inovadora, um autêntico fabricante de sonhos, que arrastava multidões, ansiosas de saciar os seus mais antigos sonhos, desde o de navegar junto ao mais terrível pirata, até ao de resistir ferozmente a um ataque de outro planeta.
Com o passar dos anos, o cinema evoluiu e as técnicas cada vez mais avançadas, tornaram esses sonhos cada vez mais reais e menos distantes. O que o cinema ganhou em realismo com este progresso, perdeu no efeito surpresa e no efeito de choque.
Por isso, há meio século atrás, a ficação-científica era um popular desafio cinematográfico e em 1951 foi estreado
O Dia Em Que A Terra Parou, um dos maiores filmes de sempre na área. Com efeito,
O Dia Em Que A Terra Parou teve todos aqueles pózinhos mágicos destinados aos predestinados, capaz de resistir ao tempo, tornando-se num filme de culto, que ao lado de outro clássico da ficção científica,
Metropolis, veio a influenciar dezenas e dezenas de outros filmes, desde
Marte Ataca! até
Relatório Minoritário.
O Dia Em Que A Terra Parou é um filme acerca de uma anunciada invasão alienígena. Uma visita não hostil, que serviria de aviso, mas que se tal não fosse escutado, iria desencadear na obliteração total do planeta - um pouco à semelhança da natureza da invasão de
Plan 9 From Outer Space. Robert Wise aposta nesta fórmula muito usada, mas foi talvez quem a soube usar melhor, manipulando o frágil e moldável espírito humano, para anunciar um inevitáve armagedão, sem nunca embarcar em tarefas megalómanas.
Tal como Carpenter em
Eles Vivem, este
O Dia Em Que A Terra Parou é uma crónica anunciada da futura destruição da Terra por parte da acção inconsciente humana, trazida ao de cima por uma entidade alienígena, visto ser uma atitude mais mediática.
Com efeito, Klaatu (Michael Rennie) é um ser de outro planeta que chega à Terra, acompanhado pelo impiedoso robot metálico Gort, com uma mensagem para o povo terráqueo. Klaatu, qual arauto da destruição, trazia o aviso ao povo da Terra que parassem com a conquista espacial e o uso inadvertido de energia atómica e outros afins, de forma a impedir a destruição de outros mundos. Se o povo terrestre insistisse em não dar ouvidos a tal conselho, Gort encarregaria-se de aniquilar toda a vida do planeta.
O que Klaatu não poderia entender era a especifidade do espírito humano, que desde o primeiro minuto o vão perseguir, fazendo-o mergulhar numa jornada exploratória.
O Dia Em Que A Terra Parou é um filme fantástico. Além de ter dois actores em excelente forma (Michael Rennie e Helen Benson), Wise realizou uma história verdadeiramente notável, acerca da natureza humana e de todos os nossos defeitos e virtudes, conscientes e inconscientes.
É ainda um exemplo na área da ficção-científica, com efeitos-especiais fabulosos - Gort ganhou o seu espaço no lugar cimeiro do pódio dedicado às grandes criações artificiais cinematigráficas, tal como a frase "Klaatu barada nikto", citada vezes sem conta pelos fanáticos e usada, por exemplo, em filmes como
Exército Das Trevas.
Como aspecto negativo, apenas um a apontar. No entanto, é um aspecto mais opinativo - é o facto de Kaatlum e Gork assumirem um carácter superior em demasia. Um ser alienígena tão superior, que até detinha o conhecimento da vida e da morte (ainda que limitado). Faz lembrar o
Super-Homem, quando voa em direcção oposta ao sentido de translação da Terra, recuando no tempo. Super demais até para um Super-Homem!.
O Dia Em Que A Terra Parou é um clássico do cinema. Não só da ficação-científica, mas para todos os cinéfilos. Um McRoyal Deluxe, que por vezes sabe a um Le Big Mac. E por vezes, um Le Big Mac que sabe a um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
3:23 PM
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