Quinta-feira, Agosto 12, 2004
A MÚMIA:
Título:
The Mummy
Realizador: Karl Freund
Ano: 1932
A Universal prestou-se desde o início a especializar-e como uma autêntica fábrica de horrores. Revisitando monstros clássicos como
Drácula ou
Frankenstein, rapidamente desenvolveu o culto pelos filmes de monstros.
Paralelamente, nascia outro confronto, mais particular, entre os actores Bela Lugosi e Boris Karloff. Enquanto o primeiro se destacava pelo seu charme, pelo estilo, pela agilidade e pelo famoso contorcer de mãos do seu
Drácula, o segundo marcava pontos pelo seu carácter forte, o seu rosto vincado e o seu quase inumanismo de
Frankenstein.
Por isso, não foi de estranhar que tenha sido Karloff o escolhido para encarnar
A Múmia, no papel de Imhotep.
Aproveitando o recente auge de popularidade do antigo Egipto e a curiosidade que a descoberta do túmulo de Tutankhamon tinha levantado, a Universal decidiu adoptar para a figura de uma múmia, o argumento do seu próximo filme.
Assim, Boris Karloff é Imhotep, um arquitecto do antigo Egipto que é mumificado vivo, acusado de sacrilégio, depois de tentar trazer de volta ao mundo dos vivos, a sua amada, a princesa Anckesen-Amon (Zita Johann). Quando a sua múmia é desenterrada por uma expedição inglesa e o seu corpo trazido à vida acidentalmente, pelo lendário manuscrito de Osiris, Imhotep vai tentar fazer o mesmo com a alma da sua amada, encerrada no corpo mortal de Helen Grosvenor.
A Múmia foi um inovador filme de monstros, porque apostou como motivação, um amor secular proibido. Ou seja, foi como pegar no amor proibido de
Romeu E Julieta, adapta-lo à intemporalidade de
Os Visitantes Da Idade Média e transforma-lo no clássico caso de amor de
A Bela E O Monstro.
Karloff parece ter nascido para o papel. O seu rosto vincado e a sua personalidade fria, aliado a uma representação quase estática e a uma das melhores caraccterizações da história de Hollywood, asseguram-lhe um lugar na galeria do fantástico. E depois a acompanha-lo está a bela Zita Johann, o complemento amoroso da história. No entanto, não tanto como um adereço sensual, como em
O Monstro Da Lagoa Negra, mas mais na onda de Fay Wray em
King Kong; ou seja, o seu papel não se resume à presença física. No entanto, a sua especialização em teatro, traduz-se por vezes num overacting desnecessário.
Como pontos negativos,
A Múmia é um desastre em certos momentos de edição, com cortes de continuidade de cenas e em algumas colagens posteriores. Negativo é também o uso (ou melhor, o "não uso") da banda-sonora: o resultado são longos momentos de silêncio contrangedor.
No entanto, o balanço final é extremamente positivo. A mistura do romance e do filme de monstros resulta plenamente, o argumento é maduro e dos mais coerentes do género, os cenários são dos mais realistas historicamente e Boris Karloff justifica completamente o cognome de, O Sinistro.
Um McRoyal Deluxe para saborear e ainda comer sobremesa.
Posted by: dermot @
12:56 PM
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