Sexta-feira, Julho 23, 2004
OS VISITANTES DA IDADE MÉDIA:
Título:
Les Visiteurs
Realizador: Jean-Marie Poiré
Ano: 1993
Os Visitantes Da Idade Média foi uma agradável surpresa de bilheteira em 1993, que veio dar origem a uma sequela (que não perdeu qualidade) e até a um remake para as salas de cinema norte-americanas (aqui sim, perdeu alguma qualidade), sempre pela mão do francês Jean-Marie Poiré.
Com efeito,
Os Visitantes Da Idade Média é uma divertida comédia ao ritmo do bom humor europeu (que tem o expoente máximo no grupo inglês Monty Python's) que vai beber da mesma fonte que os conterrâneos Jacques Tati e, principalmente, Louis de Funès, o famoso
Gendarme.
Godefroy de Papincourt (Jean Reno) é o conde de Montmirail, que é condenado pelos desígnios de uma bruxa a um forçado celibato. Na tentativa de dar a volta ao caso, Godefroy tenta regressar algumas horas no tempo e para isso recorre à ajuda de um velho feiticeiro (Pierre Vial). No entanto, a poção não corre da maneira desejada e transporta tanto o cavaleiro como o seu escudeiro, Jacquouille (Christian Clavier), para pleno século XX.
O resultado é o confronto temporal destes dois cavaleiros da Idade Média no nosso mundo contemporâneo, num choque cultural, de costumes e hábitos.
Sem nunca se assumir como uma comédia,
Os Visitantes Da Idade Média desenrola-se após uma primeira parte inrodutória, num frenesim de situações caóticas, de um humor inteligente e perspicaz. Certas situações chegam mesmo a atingir uma proporção tal de acontecimentos verdadeiramente divertidos, à boa maneira do caótico hotel de
Fawlty Towers.
O filme ganha com esta posição de nunca se assumir como uma comédia, visto que o argumento, apesar de fantasista, nunca perde o rumo, mantendo-se suficientemente coerente em (quase) todos os pormenores. Claro que não é um
Regresso Ao Futuro (anda até mais na essência de
Exército Das Trevas), mas a sua veia de comédia é muito mais vincada aqui.
No entanto, esta coerência argumentativa, que torna o filme credível, vai também dar-lhe um maior moralismo social, o que é sempre importante numa comédia.
Jean Reno e Valérie Lemercier (para não falar em Christian Clavier), são os actores que dão o corpo a esta história fantástica, mantendo sempre a postura acertada em prestações de grande qualidade. Reno é o perspicaz e bravo guerreiro medieval, que rapidamente se adapta (o máximo possível, claro) à situação em que se vê a braços; Clavier é o lacaio, que com a lenta tomada de consciência da sua condição, enquanto homem livre, o leva a revoltar-se, seduzido pelos prazeres da vida do século XX; e Valérie Lemercier é o elo de ligação entre estes dois mundos, na sempre prestável e amável Béatrice.
O choque que o salto temporal provoca é extremamente bem desenvolvido e aproveitado, nunca sendo exagerado, sendo sempre realista e credível, ganhando por isso, momentos deveras divertidos.
O sucesso de
Os Visitantes Da Idade Média é completamente compreensível e justo, tornando-se numa das melhores comédias europeias que já foram dadas ao cinema.
O filme balança na ténue linha temporal que separa o McChicken do McBacon. Desta vez não sou eu que vou decidir. Mas neste caso, não dava preferência à carne branca...
Posted by: dermot @
12:33 AM
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