Terça-feira, Julho 13, 2004
O DESPERTAR DA MENTE:
Título:
Eternal Sunshine Of The Spotless Mind
Realizador: Michael Gondry
Ano: 2004
No texto anterior, referi que se o rock n' roll pudesse ser transformado em filme, o resultado seria o
Quase Famosos. Agora, posso afirmar que, se o amor pudesse ser transformado num filme, esse filme seria
O Despertar Da Mente.
Com efeito,
O Despertar Da Mente é talvez a mais bela e completa história de amor do cinema; não só dos lados positivos, mas também dos negativos que uma relação comporta - não só o paraíso, mas também o inferno do amor. E depois porque não é a habitual história de amor, lamechas e romântica - é um desabafo de amor, instantâneo e previsível, quase como uma reacção química. E por último comporta a mais alta essência do amor: o amor verdadeiro é invencível e não pode ser barrado.
Joel Barish (Jim Carrey) é um jovem introvertido que decide apagar da sua mente, todas as recordações acerca de Clementine Kruczynski (Kate Winslet), através de um inovador método científico, depois da relação de ambos ter estoirado os últimos cartuchos. Pelo menos aparentemente, porque o processo afinal não vai ser assim tão fácil - porque o verdadeiro amor não pode ser apagado.
O que parecia ser um simples começar de novo, à boa maneira de
Vanilla Sky, torna-se numa batalha feroz contra o esquecimento, numa tentativa desesperada de salvar as mais preciosas recordações.
Aqui entra em acção o brilhantismo de Michael Gondry e Charlie Kaufman. Kaufman é sem dúvida o mais talentoso e original argumentista da actualidade (
Queres Ser John Malkovich e
Inadaptado são prova disso) e este
O Despertar Da Mente é o seu melhor argumento até agora, o mais completo e coerente. E a dupla com Gondry volta a funcionar na perfeição, com este a ilustrar a história de Kaufman (porque este é um filme de argumentista, acima de tudo) de forma brilhante, presenteando-nos com cenas verdadeiramente memoráveis e apaixonantes.
Oportunidade ainda para referir os actores. Jim Carrey afinal sabe mesmo representar (já tinha dado provas disso em
Homem Na Lua ou
Truman Show), basta apenas afastar-se do overacting de papéis como em
O Melga ou
Mentiroso Compulsivo; e Kate Winslet, apesar das más línguas, também é uma boa actriz, como é prova o bom desempenho no papel da aluada e imprevisível Clementine.
O Despertar Da Mente é assim um hino ao amor. É certo que um pouco demente e rebuscado, mas não nos podemos esquecer que saiu da mente de Charlie Kaufman.
É que no fundo está lá tudo - o amor é uma das premissas supremas da vida e o amor verdadeiro não pode ser apagado ou evitado, que contorna o destino, qual efeito
O Feitiço Do Tempo. E Kaufman faz questão de mostrar que esta história não é um caso excepcional, presenteando-nos com outras histórias paralelas secundárias: o semelhante caso amoroso entre Kirsten Dunst e Tom Wilkinson, ou a tentativa de alimentar um amor falso, como o caso de Eliajah Wood com Kate Winslet, à semelhança do que Bill Murray tentou fazer numa primeira instância, no outro clássico amoroso,
O Feitiço Do Tempo.
É sem dúvida uma história já muitas vezes contada.
Mas pela primeira vez é contada desta forma.
E é um Royale With Cheese.
Posted by: dermot @
10:40 AM
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