Domingo, Julho 18, 2004
O BOM, O MAU E O VILÃO:
Título:
Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo
Realizador: Sergio Leone
Ano: 1966
Descobrir o legado de Sergio Leone é uma experiência avassaladora para qualquer cinéfilo. Vê-lo pela primeira vez é uma experiência marcante, um momento inesquecível; reve-lo pela segunda ou pela vigésima vez, é redescobrir constantemente momentos verdadeiramente mágicos. Os spaghetti westerns de Leone, género reinventado e elevado ao expoente máximo da sua expressão por este realizador italiano, são uma influência incontornável no cinema de acção posterior. Os filmes de Leone são westerns até para quem não gosta de westerns.
Clint Eastwood encarna aqui pela primeira vez o papel do homem sem nome, o impiedoso cowboy, qual justiceiro solitário, que vai empreender uma busca por um tesouro enterrado. A sua jornada cruza-se com a de Tuco (Eli Wallach) e de Sentenza "Olhos de Anjo" (Lee Van Cleef), de maneiras paralelas à boa maneira de um
Pulp Fiction ou de
Um Mal Nunca Vem Só.
Os três cowboys encerram assim uma empresa de proporções épicas, a um ritmo alucinante, de duelos e alianças constantes, sempre com a Guerra Civil americana como pano de fundo.
O "bom", Clint Eastwood, nasceu para ser este cowboy solitário, impiedoso, mas sensato, e não para ser Dirty harry. E assim é que deverá ser sempre recordado, em primeira instância.
Lee Van Cleef é daqueles actores que nasceu para ser vilão. O seu olhar fraticida torna-o sempre no "mau" de
O Bom, O Mau E O Vilão e não no papel de Coronel Mortimer.
E por fim, o "vilão", Eli Wallach, é o patife perfeito para aquele personagem, impiedoso e ganancioso, mas que apesar de tudo, acaba por merecer viver no final do filme.
Depois há Ennio Morricone, o qual merece um parágrafo só para si. Morricone é o segundo braço dos filmes de Leone, um génio incomparável da música, que decidiu emprestar (felizmente) o seu talento ao cinema. Morricone é o responsável por muitas das cenas verdadeiramente mágicas e épicas deste
O Bom, O Mau E O Vilão, tal como os planos característicos de Leone, que conseguia filmar o triplo de emoções num olhar, que um realizador comum consegue filmar num filme todo.
Morricone só por si, consegue elevar um filme ao Olimpo cinematográfico, feito esse que muito poucas vezes é atingido por qualquer outro compositor de bandas-sonoras. Há excepções como Michael Nyman em
O Piano, ou de Yann Tiersen em
O Fabuloso Destino De Amélie.
O Bom, O Mau E O Vilão é o verdadeiro filme de acção - épico, emotivo, impiedoso, perigoso. Os planos fechados e os close-ups de Leone revelam uma habilidade nata só possível aos predestinados. A tríade de actores encarna uma das mais fabulosas equipas do cinema, com aquela decadência cativante de um Jack Sparrow, mas com uma confiança inquebrável de um James Bond, aliada ao estilo apaixonante do Mariachi de Antonio Banderas. Aqueles três actores são três das personagens mais cools do cinema de acção de sempre.
O trio parte numa jornada épica em busca do ouro. São três personagens heróicas, mas no sentido oposto da palavra - são três anti-heróis num filme heróico. E como em todos grandes filmes de acção, a jornada torna-se uma verdadeira epopeia - como se torna a vingança de Beatrix Kiddo ou a missão de Benjamim Willard. Aliás, a cena em que Eastwood e Wallach acabam por participar activamente na Guerra Civil, ajudando o capitão Wallace (Mario Brega) faz lembrar a escala de Martin Sheen com o coronel Kilgore, de
Apocalypse Now.
Quentin Tarantino disse uma vez, aceca do seu
Kill Bill (que sem dúvida, é uma das vítimas do espólio de Sergio Leone), que se é para fazer um filme de acção, há que fazer o melhor. Sergio Leone seguiu sempre essa directriz; e este
O Bom, O Mau E O Vilão é um dos grandes épicos de acção da história do cinema.
Um filme obrigatório para qualquer cinéfilo inveterado, para qualquer apreciador de cinema, ou para qualquer fanático de filmes de acçao. Um filme obrigatório para qualquer pessoa. Para ver e rever uma segunda, uma terceira e uma quarta vez. Só assim o consigo entender.
Estava na dúvida se deveria atribuir-lhe o Royale With Cheese. Mas depois deste texto, tinha outra hipótese?
Posted by: dermot @
7:10 PM
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