Terça-feira, Julho 06, 2004
GOOD BYE, LENIN!
Título:
Good Bye, Lenin!
Realizador: Wolfgang Becker
Ano: 2003
O êxito inesperado deste filme, fez-me ir vê-lo com elevadas expectativas. De facto, por uma qualquer razão, desde o início que associei este
Good Bye Lenin! a O Fabulo Destino de Amélia; talvez por terem sido dois filmes europeus, que atingiram um elevado sucesso contra as expectativas.
Por isso, após abandonar a sala, não pude deixar de ficar contente: primeiro, porque as expectativas não foram defraudadas. E depois, porque as semelhanças com
O Fabulo Destino De Amélie existem mesmo.
Comecemos por aqui. De facto, as semelhenças entre o filme de Jeunet e este de Wolfgang Becker não se ficam pela banda-sonora do genial Yann Tiersen. Ambos são comédias geniais, frescas e modernas, duas fábulas extremamente bem contadas, sem nunca deixarem de ser originais. E claro que para tudo isto, a banda-sonora do magistral Yann Tiersen muito contribui.
Quanto ao filme em si, conta a história de Alex Kerner (Daniel Brühl), um jovem nascido na Alemanha socialista de Lenine, do lado oriental do muro. A sua mãe, Christiane Kerner (Katrin Saß) uma activa socialista política após o abandono do pai para o lado ocidental do muro, tem um colpaso cardíaco e fica num estado comoso durante oito meses. Nesses curtos oito meses, o mundo alemão transfigura-se: o muro cai, a Alemanha é reunificada e Berlim soçobre ao capitalismo e ao ocidente. Quando Christiane acorda, o seu estado de saúde frágil não lhe permite outro choque. É então que Alex, a sua irmã e os seus amigos
entram em acção - providenciar que no quarto da sua mãe, o socialismo não tenha morrido.
Acima de tudo,
Good Bye, Lenin! é uma comédia saudável, com momentos verdadeiramente hilariantes. Todo o esforço que Alex Kerner faz para manter a Alemanha socialista bem viva naquele quarto é genial.
Consequentemente, acaba por ter um conteúdo político. No entanto não se pode afirmar que seja um filme político, a favor ou contra o comunismo. Apenas conta a história sobre o ponto de vista da família Kerner, que têem as suas opiniões e visões e que, devido às ocasionalidades do destino, o jovem Alex se vê a braços de dar uma nova oportunidade ao socialismo, acabado de derrubar.
O filme tem vários momentos altos. Ronda pelos momentos humorísticos geniais, tem cenas verdadeiramente inesquecíveis (como quando Christiane sai à rua pela primeira vez depois do ataque cardíaco e é confrontada com a estátua do líder Lenine) e claro, acaba por roçar os contornos dramáticos, sem nunca chegar a ser lamechas. Vale ainda pela fantástica banda-sonora (nunca é demais lembrar) e é mais um grande exemplo do bom estado saúde que o cinema europeu goza, nomeadamente a comédia (daí as inúmeras comparações a
O Fabuloso Destino De Amélie).
É uma difícil questão, a de dar nota a este filme, visto que
Good Bye, Lenin! era um daqueles filmes que ficava bem entre o McRoyal Deluxe e o Le Big Mac. Mas como aqui não há meios termos, desta vez decidi quedar-me pelo termo mais alto. Porque hoje em dia, são cada vez mais difíceis as comédias verdadeiramente divertidas.
Posted by: dermot @
12:01 PM
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