Quinta-feira, Julho 08, 2004
FUGA PARA A VITÓRIA:
Título:
Victory
Realizador: John Huston
Ano: 1981
Depois de passada a recente euforia generalizada à volta do futebol, devido ao Europeu 2004, que tantas alegrias e tristezas nos trouxe, decidi rever esta pérola acerca do desporto-rei.
Fuga Para A Vitória é filme misto, pode-se dizer; metade dele é sobre o futebol e a outra metade é um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, mais concretamente, acerca de um campo de prisioneiros e as suas tentativas de fuga.
A temática futebolística nunca foi uma boa escolha para o cinema e na minha opinião, ainda está para vir o primeiro bom filme sobre o futebol. No entanto, em
Fuga Para A Vitória há demasiadas coisas que o tornam obrigatório, mesmo que o filme não seja nenhum portento cinematográfico.
Com efeito, John Huston dirigiu um elenco formidável: Michael Caine, cujo seu brilho de estrela acaba sempre por cintilar, mesmo durante as más prestações; Sylvester Stallone (é bom vê-lo longe dos papéis à
Rambo e mais próximo dos papéis à semelhança do primeiro
Rocky - é quiçá, o filme em que Stallone tem mais diálogos); Max von Sydow; e uma panóplia de antigas glórias do futebol, entre elas Bobby Moore e claro, Pelé, que trasnformam o filme num dos mais realistas na temática futebolística.
O filme tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Durante uma visita a um campo de prisioneiros, o major alemão Karl von Steiner (Max von Sydow), um apaixonado por futebol, descobre o ex-jogador inglês, o capitão John Colby (Michael Caine), desafiando-o para treinar uma partida entre Alemães e Aliados, em Paris.
Entre os recrutados da parte dos Aliados estão grandes lendas do futebol (Pelé incluído) e um americano chamado Robert Hatch (Sylvester Stallone), que é talvez a maior surpresa do filme, no papel do guarda-redes americano desajeitado que ele mesmo o é, ao contrário de Caine que tenta mostrar que sabe jogar à bola, quando na verdade não o sabe.
A Resistência Francesa providencia logo uma evasão do estádio, mas as consequências do desafio vão culminar no desenrolar do frenético jogo, que tem o seu climax no famoso pontapé de bicicleta de Pelé.
O filme é então uma mistura entre
A Grande Evasão e o futebol; de um lado tem um fraquinho desenvolvimento histórico (se não tivessemos visto filmes da época, como
O Pianista ou
A Lista De Schindler, ficavamos com a ideia que a Alemanha nazi era uma ditadura justa e os campos de concentração eram acolhedores sítios para se viver, respeitando a Convenção de Genebra), cheio dos clichets da Segunda Guerra Mundial. E do outro lado tem o futebol, na expressão máxima da sua essência, enquanto arte suprema que move massas, une laços de igualdade e fraternidade e enquanto meio de resolver os conflitos.
John Huston tentou assim filmar um épico, uma história de grande valor moral e humanista, baseado em alguns factos verídicos. Esteve longe do sucesso; mas não deixa de ser um dos melhores (quiçá o melhor) filmes acerca do desporto-rei, com um elenco de grandes nomes e uma boa banda-sonora, que merece ser revisto de tempos a tempos. Ah, e a capa é bastante boa!
A prova de que os McChickens também podem ser clássicos à sua maneira.
Posted by: dermot @
2:19 PM
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