Domingo, Julho 25, 2004
CASINO ROYALE:
Título:
Casino Royale
Realizador: Val Guest, Ken Hughes, John Huston, Joseph McGrath e Robert Parrish
Ano: 1967
Em 1967 já Sean Conner arrebatava corações no papel do irresistível espião James bond. Por isso, a tentativa de realizar o primeiro romance de Ian Flemming,
Casino Royale, por parte de outra produtora, assemelhava-se a suicídio se não contasse com o actor escocês no papel principal. Por isso, a solução encontrada, foi filmar uma paródia dos filmes de James Bond.
No entanto, um grupo de cinco realizador e de dez argumentistas (só para mencionar os creditados), não poderia agoirar algo de muito positivo. E
Casino Royale ressentiu-se disso.
Com efeito,
Casino Royale é um James Bond não oficial, mas na versão comédia de acção. Com uma panóplia de realizadores e argumentistas por trás e com um vasto leque de actores pela frente, o resultado final foi quase como uma mistura de James Bond com um
Austin Powers, um Jacques Clouseau e uma comédia de Woody Allen - uma intriga exageradamente exagerada (chega a ser mesmo difícil de acompanhar, em certos momentos), de esteriótipos e caricaturas de espionagem, em cenas verdadeiramente caóticas por vezes.
No entanto,
Casino Royale respira toda a essência do espião James Bond e é esse o seu grande trunfo, que não deixa cair o filme num poço de incoerência.
De facto, David Niven encarna o papel do original James Bond, que é todo o contrário do James Bond que estamos habituados. Apesar dos seus atributos e desempenhos formidáveis no campo da espionagem, Sir James Bond, já reformado, é um velho gago, de ideias e morais próprias e até a imagem do celibato.
Bond é a última solução para derrotar a SMERSH, uma organização secreta que já tinha capturado todos os espiões de todas as nacionalidades (desde a CIA até ao KGB) e para isso, Bond vai treinar outra remessa de Bonds, onde vai sobressair Evelyn Tremble (Peter Sellers).
Casino Royale é uma paródia ao espião irresistível, levando ao extremo a sensualidade e o erotismo do agente 007 (Niven afirma mesmo a certa altura, que era "terrível como a imagem do agente secreto está ligada à de tarado sexual), pejando o filme de lindas e sensuais mulheres, incluindo as habituais bond girls - Ursula Andress (que tinha sido a primeira bond girl do cinema, em
Dr. No) e Joanna Pettet.
James Bond é aqui mais um Jacques Clouseau, das aventuras da
Pantera Cor-de-Rosa, mas que no entanto respira toda a personagem de James Bond, sendo talvez um dos episódios mais conscientes deste espírito, que actualmente se perdeu nos filmes do espião ao serviço de sua majestade, desde talvez
Goldeneye.
Fora o seu lado de comédia (que vive sobretudo de um humor inglês inteligente, bem característico de Sellers, Niven e Woody Allen, mas que se torna negativo quando atinge o exagero satírico de um
Onde Pára A Polícia?),
Casino Royale ganha ainda mais pontos em três pormenores: o da banda-sonora, com temas geniais de Herb Alpert & The Tijuana Brass e uma inesquecível interpretação de Dusty Springfield em The Look Of Love (uma canção obrigatória em qualquer compliação musical James Bond); os créditos iniciais, absolutamente fantásticos; e o carácter cénico de quase todo o filme, onde se destacam os cenários futurístas da sede da SMERSH e principalmente, a Escola De Espionagem Mata Hari, uma fantástica fusão de
Metropolis, com o surrealismo de Dali e a animação de
Fantasia.
Apesar de não ser um episódio James Bond oficial,
Casino Royale é um filme obrigatório para todos os fãs do espião ao serviço de Sua Majestade. Apesar de ser uma sátira e uma caricatura de 007,
Casino Royale respira por todos os poros o ambiente dos filmes de James Bond, o que faz ansiar por um remake a sério da história.
E depois há David Niven, Petter Sellers e Woody Allen, três nomes incontornáveis da comédia, responsáveis por alguns momentos brilhantes e divertidos.
Um McBacon que muitos episódios de James Bond não atingem.
Posted by: dermot @
5:15 PM
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