Domingo, Julho 18, 2004
BUFFALO '66:
Título:
Buffalo '66
Realizador: Vincent Gallo
Ano: 1998
Vincent Gallo é o homem dos sete ofícios e provou-a na sua estreia como realizador neste
Buffalo '66 - escreveu, realizou, editou, participou e até foi responsável por alguma da banda-sonora do filme.
Se no seu segundo filme,
The Brown Bunny, a crítica foi arrasadora, nesta sua estreia como realizador, a crítica não podia ter sido o mais antónima possível, visto que os elogios se sobrepuseram. No entanto, as diferenças entre ambos não são muitas.
Com efeito, em
The Brown Bunny, Gallo volta a encarnar o seu estilo próprio de um género de rebelde-James Dean, meio derrotado, meio narcisista, que embarca em mais uma viagem exploratória de exorcismo de fantasmas e de carpir de mágoas. No entanto, se em
The Brown Bunny essa viagem era literal e real, em
Buffalo '66 tudo é metfórico e sensorial. Mas os mesmo fantasmas pairam sobre ambos os filmes.
Vincent Gallo é Billy, um ex-presediário, que após cinco anos na prisão acaba por raptar uma rapariga, Layla (Christina Ricci), obrigando-a a fazer passar-se por sua mulher, enquanto visitam os seus pais, Jan (Anjelica Huston) e Jimmy (Ben Gazzara). A partir daí todos os rumos da sua vida se tornam imprevisíveis.
É uma opinião muito pessoal, mas Vincent Gallo é deveras irritante (já em
The Brown Bunny o era, mas não se notava tanto, devido ao carácter quase mudo do filme). E o filme torna-se irritante com as suas atitudes. E sendo ele um cretino, é incompreensível que alguém consiga simpatizar instantaneamente com ele, como acontece com Layla. E muito menos credível isso é, quando esse alguém tem a cara angelical de Christina Ricci.
Quanto a Christina Ricci, que se estreou aqui no seu primeiro grande papel, está igual a si mesmo - com aquele ar de sonsa e ao mesmo tempo, de ingénua, sempre angelical, mas capaz de se impôr nos momentos precisos. Um papel muito à semelhança do seu recente
Monstro.
Pode-se dizer, que Ricci conhece a verdadeira
Família Addams quando conhece os pais de Gallo e não quando encarnou o papel de Wednesday Addams, no filme de 1991. De facto, Anjelica Huston e Ben Gazzara estão fenomenais, naquela família altamente disfuncional. Talvez disfuncional demais.
E depois ainda há Mickey Rourke, em mais um papel de luxo, encarnando um mafioso corrector de apostas. Sou um fã de Rourke enquanto vilão decadente à filme de série B e em
Buffalo '66, Rourke está muito bem, muito melhor que a sua última aparição em
Era Uma Vez No México.
Buffalo '66 é um filme independente e experimental. Gallo tem bastantes planos interessantes, alguns menos interessantes e até alguns francamente maus, que não resultam. Mas é um filme muito agradável visualmente. E a banda-sonora é igualmente de realce. Mas como já é hábito, Gallo joga com o quotidiano sensorial da decadência da vida, mas extremamente exagerado. O filme dá uma sensação geral de excertos fragmentados independentes; tem certas partes que não se relacionam mesmo.
Vincent Gallo perde-se em fantasmas surreais, em pormenores desnecessários e em alguns diálogos menos conseguidos, que a sua interpretação irritante (opinião pessoal, eu sei) não ajuda nada - se Gallo conseguisse mostrar, por exemplo, a mesma paixão pelo bowling como que o desprezo que mostra por Christina Ricci, tinha aqui uma interpretação fantástica.
Mas no entanto, vê-se muito melhor que o seu sucessor,
The Brown Bunny.
Se
The Brown Bunny não tivesse todo aquele carácter pesado de road-movie, todas aquelas atitudes estéticas meramente fotográficas e momentos de solidão cinematográfica total, tinha recebido os mesmos elogios que
Buffalo '66, que apesar de tudo, tem menos potencialidades argumentativas que o seu sucessor.
Mas a generalidade assim não o entendeu. E o Mchicken é só porque este
Buffalo '66 se vê muito melhor que o segundo.
Posted by: dermot @
12:39 AM
|