Quarta-feira, Junho 30, 2004
A SEMENTE DO DIABO:
Título:
Rosemary's Baby
Realizador: Roman Polanski
Ano: 1968
Quando Roman Polanski estreou o sucesso
A Semente Do Diabo, no já longínquo ano de 1968, desde logo se notou que Polanski não era um mero realizador; e o seu mérito teve o merecido reconhecimento com a sua última obra-prima,
O Pianista.
Com efeito,
A Semente Do Diabo é um filme magnífico e arrisco-me a dizer que foi quiçá o primeiro grande filme de terror (o melhor?). Não um filme de terror como estamos habituados agora a ver, com todos os clichets explícitos, típico dos actuais filmes de terror banhados a sangue num enredo vazio; não, um verdadeiro filme de terror, um thriller psicológico que consegue não assustar, mas incomodar e perturbar, tal como nenhum outro fez além de
O Exorcista.
Rosemary (Mia Farrow) e Guy Woodhouse (John Cassavetes), recém-casados, mudam-se para um antigo apartamento recheado de histórias misteriosas de antigos residentes. A rápida amizade com o casal de idosos vizinhos, Minnie (Ruth Gordon) e Roman Castevet (Sidney Blackmer), que começa por ser divertida e agradável, acaba por se tornar num terrível pesadelo, de culto satânico, onde o bebé de Rosemary acaba por ser o alvo daquela misteriosa irmandade.
Polanski é um minucioso contador de histórias; começando muito lentamente, a história começa a ser pulvilhada por estranhos excertos de canções cavernosas, misteriosos objectos e inquietantes acções, que vão terminar uma catarse de rituais assombrosos e de cultos demoníacos. Lentamente, somos apanhados numa avalanche arrepiante de um complot satânico, em que todos estão virados para o bebé de Rosemary.
Mia Farrow brilha e todos os níveis, no papel da frágil, mas empenhada heroína, que tenta a todo o custo salvar o seu bebé, até terminar num final assombroso. Ruth Gordon também tem os seus momentos altos e ainda hoje continua a ser, elogiosamente na minha opinião, a idosa mais barulhenta do cinema.
Polanski teve o mérito de dirigir este magnífico elenco, tratando correctamente pela primeira e única vez (que nme recorde), o tema do satanismo, sem assassinatos, possessões assustadoras ou cabeças a andar à roda e a vomitar, como é normal nos filmes sobre o tema. Polanski abordou o tema com todo o realismo, à maneira de que Stanley Kubrick tinha feito com os rituais à Deusa, em
De Olhos Bem Fechados.
Aliás, são notórias as influências de Kubrick no trabalho de Polanski (ou será ao contrário?). Tal como são óbvias as semelhanças com o não menos genial,
O Advogado Do Diabo.
A Semente Do Diabo é um filme extremamente perturbador, uma obra obrigatória para todos os amantes dos filmes de terror. Um filme forte e intenso que fez despontar um jovem realizador e que, infelizmente, pareceu ter vindo a tornar-se um sinal, visto que meses depois, a casa de Roman Polanski acabou por ser invadida pela seita de Charles Manson, que para além de outras pessoas, assassinaram a sua esposa, a actriz Sharon Tate, sob contornos macabros.
Não é difícil atribuir um justíssimo McRoyal Deluxe a esta magnífica obra cinematográfica; o mais difícil é conseguir come-lo em condições enquanto se assiste ao filme.
Posted by: dermot @
11:12 PM
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