Sexta-feira, Junho 18, 2004
METROPOLIS:
Título:
Metropolis
Realizador: Fritz Lang
Ano: 1927
Metropolis é um dos grandes clássicos do cinema. Filmado em 1927, esta mega-produção alemã que quase afundou a UFA na falência, foi o primeiro filme de ficção científica da história do cinema.
Recheado de efeitos especiais surpreendentes e fantásticos para a época em questão,
Metropolis é uma base de referência para quase todo o cinema contemporâneo, onde podemos encontrar inúmeras influências sofridas por outros filmes - desde o ambiente futurista citadino de
O Quinto Elemento ou
Blade Runner, passando pela diversão de cabaret que reconhecemos em
Moulin Rouge, pela perseguição final nos telhados da catedral de
O Corcunda De Notre Dame, até ao próprio Homem-Máquina, plagiado por George Lucas, no seu C-3PO em
A Guerra das Estrelas.
Metropolis é uma obra épica futurista de poder, amor e humanismo. Metropolis é a cidade-mãe de todas as cidades, uma cidade paradisíaca à face da Terra onde viviam os capitalistas e uma cidade infernal nas profundezas do subsolo, onde o proletariado comandava as máquinas que controlavam o crescimento da cidade, diária e interruptamente, quais Chaplins em
Tempos Modernos. Freder Fredersen (Gustav Fröhlich) é o filho do construtor e chefe de Metropolis, Joh Fredersen (Alfred Abel), que um dia fica apaixonado por uma trabalhadora. Seguindo-a até ao subsolo, Freder descobre as precárias condições de vida dos trabalhadores e conhece a revoltosa Maria (Brigitte Helm), que irão acabar por comandar uma revolta profunda na estratificação social.
Fritz Lang adaptou assim a história de Thea von Harbou, uma condenação à sociedade estratificada que não augurava um bom futuro, à semelhança de Geroge Orwell e o seu 1984 (adaptado razoavelmente para o grande ecrã, com o mesmo título,
1984), apelando ao amor, à fraternidade e à igualdade, através de inúmeros silogismos com a Bíblia - por exemplo, a própria Maria; Moloch, a máquina principal da cidade, que nada produzia mas que exigia o sacrifício humano; ou até Freder, qual Messias salvador, um Jesus Cristo moderno, portador da palavra da Salvação.
Obra do expressionismo alemão, corrente esta que iria atingir o seu máximo com outro cássico,
Nosferatu,
Metropolis é um filme simbólico, que através da sua técnica narrativa de cenas paralelas e através da magnífica banda-sonora, torna-se em um dos mais expressivos filmes mudos de sempre, capaz de dizer muito mais numa só cena, do que um extenso diálogo diria.
Toda a fotografia é de excepção, a escala grandiosa dos cenáriso é assustadora, todo o espírito do filme é cavernoso. E Brigitte Helm está soberba na representação da "falsa Maria".
Metropolis deve ser um filme obrigatório para qualquer cinéfilo. Uma base de referências para todo o cinema posterior, mas que não deve ser visto de ânimo leve. Completamente obrigatório tal como deve ser um McRoyal Deluxe na ementa semanal de um amante de cinema.
Posted by: dermot @
12:19 PM
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