Quinta-feira, Maio 20, 2004
O MILAGRE SEGUNDO SLAOMÉ:
Título:
O Milagre Segundo Salomé
Realizador: Mário Barroso
Ano: 2004
Foi com algumas expectativas que fui ver
O Milagre Segundo Salomé, visto que pelo que tinha ouvido, seria uma lufada de ar fresco no cinema nacional. No entanto, ao fim de vonte minutos de filme, podia constatar que era
um filme português. De facto, o cinema nacional não vagueia acutalmente por bons caminhos, não se registando mesmo uma evolução. Será culpa dos actores? Claro que não, temos muitos bons actores portugueses. Falta de realizadores de qualidade' Também não acredito que não haja quem saiba fazer bom cinema em portugal. Então de quem será a culpa? Talvez o ICAM deva repensar certas estratégias.
O cinema portugûês sofre de ume stigma profundo, que cada vez é mais difícil libertar-se. O filme português, ou das duas uma: ou é um argumento original de qualidade duvidosa; ou é uma adaptação de um romance histórico; e depois aqui, essa adaptação ou é uma boa adaptação ou é uma má adaptação.
O Milagre Segundo Salomé é uma adaptação do romance de José Rodrigue Miguéis pela mão de Mário Barroso, que faz a sua estreia como realizador. E pode-se claramente separar o filme em duas partes distintas - a primeira, enfadonha e maçadora, onde tudo é muito descritivo e apoiado nas linhas condutoras do livro, sem que seja aprofundado ao ponto de deixar de parecer artifical; e depois há uma segunda parte, onde o filme ganha alguma coisa, muito por culpa da história, demasiado interessante para ser servida num filme tão aborrecido. Com efeito, Mário Barroso limita-se a adaptar o livro para o grande ecrã; apesar de dominar a câmara e apesar de o filme contar com uma banda sonora excelente, o realizador não faz mais do que contar a história já antes contada por José Rodrigues Miguéis. É um pastel sem sabor, que lhe falta a alma.
Salomé é uma "acompanhante" importante numa das mais famosas casas de meninas de Lisboa, que vai inflamar o coração de três pessoas: o tenente Brás (Filipe Duarte); Gabriel (Ricardo Pereira), um jornalista revolucionário e constestatário; e Sertório Cerqueira (Nicolau Breyner), importante banqueiro da capital.
Ao mesmo tempo, dá-se em Fátima a aparição da Virgem aos três pastorinhos.
O Milagre Segundo Salomé é um filme histórico, com uma história forte, que podia ter ido mais longe. Mas como o geral da maioria dos filmes portugueses, acaba por ficar a meio-caminho. Não é uma adaptação para cinema, é mais uma transposição de um livro para o cinema. A banda-sonora é de grande nível, mas nem todos os actores acompanham o nível. No entanto, é um filme que vem sacudir a poeira que recentes estreias nacionais têm deixado.
Mas não passa do McChicken.
Posted by: dermot @
4:12 PM
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