Terça-feira, Maio 11, 2004
KILL BILL VOL. 2 - A VINGANÇA:
Título:
Kill Bill vol. 2
Realizador: Quentin Tarantino
Ano: 2004
A vingança é um prato que se serve frio.
Tarantino é Deus em pessoa. A sua capacidade de criar histórias cinematográficas é única, o que o coloca unanimamente no topo do pódio dedicado aos realizadores, transformando qualquer filme que realize em automáticas peças de culto.
Quando o ano passado, por obrigações produtoriais, se viu forçado a dividir o seu filme em dois, Tarantino não sentiu o golpe e transformou uma grande pérola cinematográfica e duas grandes pérolas cinematográficas. É um grande pedaço de cinema recheado de pequenos grandes pedaçoes de cinema.
Assim, o primeiro volume foi a forma que precedeu a matéria ; enquanto o
Volume 1 dá objectividade, o
Volume 2 dá profundidade. O
Volume 1 podia existir sem o segundo, mas depois de se visionar o Volume 2, essa possibilidade desaparece. O
Volume 2 é o complemento do primeiro e vice-versa.
Tarantino criou um western spaghetti de artes marciais, em mais uma colagem cinéfila de filmes de categoria B. O seu objectivo era fazer um filme de acção. E se era para o fazer então tinha que ser o maior: as maiores sequências de luta, as maiores mortes, os maiores acontecimentos...E assim surgiu esta vingança épica, cheia de todos os clichets que Tarantino reinventa. Ao som de Morricone e na companhia de Chiba, a Noiva (Uma Thurman) move-se numa campanha épica. Depois da "matança do porco" no primeiro volume à boa maneira oriental, as personagens e a própria história ganham profundidade e consciência, num tom mais ocidental, à boa maneira de Sergio Leone.
Este segundo volume vinca os contornos de bom filme que tinham ficado riscados ao de leve no
Volume 1. Uma Thurman continua magistral e David Carradine tem a credibilidade que devia ter tido em
Kung Fu (delicioso as cenas em que toca flauta, à semelhança do outro ícone, Charles Bronson, que tocava harmónica em
Aconteceu No Oeste).
O filme torna-se tão credível no meio de tanta vingança, que aceitamos sem contestar o espírito maternal que impregna a última parte da epopeia. E se a crucificação de Cristo em
A Paixão De Cristo é arrepiante, o que dizer de quando Uma é enterrada viva!
Tinha que ser Quentin Tarantino a merecer o primeiro Royale With Cheese deste blog, com mais esta sua criação kitsch de cultura pop, obrigatoriamente imperdível. Mas atenção - um prémio que engloba os dois filmes em conjunto como um só!
Posted by: dermot @
4:01 PM
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