Sexta-feira, Maio 07, 2004
JOGA COMO BECKHAM:
Título:
Bend It Like Beckham
Ano: 2002
Realizador: Gurinder Chadha
Basicamente, o conceito desta co-produção anglo-indiana é o mesmo que os filmes da Disney de domingo à tarde; ou seja, pegar num animal e coloca-lo a praticar um desporto - lembro-me de um cão que jogava basquetebol, um macaco profissional no hóquei no gelo, entre outros. Neste caso, a história trata de uma rapariga de etnia hindú, cujo sonho era ser jogadora profissional de futebol, mas cuja etnia e o sexo foram fortes condicionantes. Parece que a forma resultou, visto que, estranhamente, foi um êxito de bilheteiras há dois anos atrás. Estranho ouu talvez não.
Talvez não porque
Bend It Like Beckham acaba por ser um filme para adolescentes, que trata dos sonhos dos adolescentes. Jasminder (Parminder Nagra) é uma jovem indiana, cuja paixão por futebol e pelo seu ídolo, a estrela do então Manchester United, é quase obsessiva. Claro que isso era praticamente impossível para alguém da sua etnia, principalmente se esse alguém fosse do sexo feminino. Mas depois de conhecer Jules (Keira Knightley) que a leva a juntar-se a um clube profissional feminino, tudo parece mais fácil. Surgem os problemas familiares aos molhos, que acabam por ser todos ultrapassados e surge um treinador, que fora das quatro linhas torna-se mais do que isso. Se analisarmos bem, acaba por ser um filme à Disney - moralmente correcto, todos os sonhos são atingidos e todos os problemas ultrapassados da melhor maneira. Começa com o tradicional
era uma vez e termina com o
viveram felizes para sempre.
Mas não que seja um filme mau. É agradável e tem alguns pontos interessantes. Juliet Stevenson aparece como mãe de Jules, com alguns gags muito bons, ambas as actrizes são jogadoras bastantes credíveis e principalmente, é bastante agradável o choque de culturas, entre a ocidental e a indiana. O realizador quase que faz uma caricatura do esteriótipo do emigrante indiano na Inglaterra, um pouco à semelhança do que acontece com os orientais em
Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho. Há um contraste muito bom sobretudo na banda sonora, em que um lado há a verdadeira música radiofriendly-pop-americana-anos-90 e do outro lado, verdadeiras pérolas musicais, dignas de uma produção de Bolywood. No entanto, o final feliz é extremamente mau, péssimo de mais e afunda completamente o filme que até se vinha mantendo à tona de água.
Por isso, este filme de futebol sério (não um
Shaollin Soccer), podia ter resultado muito melhor se não tivesse resumido a um agarrar dos padrões cinéfilos académicos, já mais que vistos. Recebe um McChicken, mas um muito pequeno e já com uma dentada.
Posted by: dermot @
11:19 PM
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