O subgénero de terror da casa assombrada levou com uma injeção de vitalidade nos últimos tempos. No cinema, com Actividade Paranormal, que rapidamente se multiplicou em sequelas atrás de sequelas; e na televisão com American Horror Story, série engraçada à volta de uma casa amaldiçoada e os seus vários fantasmas. Insidioso é mais um tiro nessa carreira de tiro, mas claramente com pólvora seca.
James Wan, o senhor responsável por ter criado aquele flagelo de sequelas infinitas chamado Saw - Enigmas Mortal -, lança-se ao filme de género, com um terror orientado orientado para os sustos, numa realização limpinha e despachada, mais sugestiva do que gráfica. Tudo dentro dos códigos, enquanto uma família se muda para uma nova casa e o seu filho, Dalton (Ty Simpkins), entra num misterioso coma ao cair das escadas.
A coisa desenrola-se calmamente, sempre orientada para pregar sustos a casa esquina, à medida que James Wan vai brincando com as sombras e as luzes e os cheios e os vazios da casa. Contudo, tudo muda quando entram em cena dois investigadores do paranormal (Leigh Whannell e Angus Sampson) e uma médium (Lin Shaye). Primeiro, Insidioso~torna-se numa comédia de terror, com a dupla a levar o comic relief longe de mais; e depois, entramos no domínio das viagens astrais, dimensões alternativas e muita droga consumida. Meu querido Poltergeist...
Insidioso parece dois filme num só e o segundo é francamente mau, feito de uma realidade alternativa cheia de personagens aleatórias e muita banha da cobra. Percebe-se a intenção de tentar fugir dos lugares comuns que o género da casa assombrada o limita, mas Insidioso é uma grande banhada, que não sabe a mais que um Cheeseburger.
Em Cold Weather, pérola mumblecore do ano passado, o protagonista, estudante de ciências forenses, reage com desdém quando o comparam aos gajos do CSI. Quem ele queria ser era o Sherlock Holmes. Os colegas riem e gozam, mas ele explica: nos licros, Sherlock Holmes é o tipo (reparem no itálico do artigo definido) e não usa um chapéu idiota nem diz "elementar, meu caro Watson". Sherlock Holmes é o Chuck Norris da literatura do século XIX.
É este Sherlock Holmes badass que Guy Ritchie pinta na sua adaptação, a milhas de distância da pacatez vitoriana a que estamos habituados. Não há cá chapéus parvos nem diálogos muito correctos durante o chá das 5 com o caro Watson. Aliás, este é um degenerado jogador de apostas de lutas de rua. É este então Sherlock Holmes de Ritchie: lutador, insolente, sem papas na língua e um rufia. E Robert Downey Jr. é a pessoa indicada para o encarnar.
E, claro, não podia faltar o seu enorme e apurado poder de deducção, que fazem dele um investigador imbativel, com um cérebro hiperactivo que, perante a monotinia, reage com impaciência e impertinência, levando-o a refugiar-se nas substância psicotrópicas e outras actividades que tais. A sua deducação é tão apurada que os raciocínios que desenvolve a partir de aparentes pormenores insignificantes se assemelham, inevitavelmente, a exagero. E Guy Ritchie aproveita isso apara o estivar o filme de mistério a filme de acção e aventuras. E como o ex-sr. Maddona está cada vez mais parecido com Tony Scott, longe dos tempos em que parecia o Tarantino, sabemos o que isso significa: acção trepidante, edição vertiginosa e muitas piruetas, algumas desnecessárias.
Neste campo, há dois momentos superiores em http://www.imdb.com/title/tt0988045/: os momentos em que este antecipa o que vai fazer, deduzindo o que vai acontecer em todos os seus movimentos, em super-slow-motion; e uma cena em que se vê no epicentro de uma explosão criminosa, num longo plano-sequência também em super-slow-motion de alta definição.
http://www.imdb.com/title/tt0988045/ vê-se assim sem enfado, deixando apenas um sabor a pouco no que diz respeito à história: um aprendiz de Aleister Crowley enquanto vilão pedia mais magia negra, mais excitação e mais raciocínio lógico no desenrolar da aventura. Venha agora a sequela, que já terminámos aqui o McBacon. E para quem ainda não percebeu que o Dr. House é inspirado na personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle e continua a insitir nas suas semelhanças para com esta versão de Guy Ritchie de Sherlock Holmes, apenas um grande facepalm para vocês.
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6:02 PM |
Segunda-feira, Janeiro 09, 2012
O ÚLTIMO VOO DO FLAMINGO:
Depois de uma panorâmica inicial, O Último Voo Do Flamingo abre com um grande plano de uma pila decepada. E não se pense que é um plano fugidio; é demorado e volta a aparecer mais uma ou duas vezes. Uma puta é chamada para confirmar o que se já desconfiava: aquela pila não é de ninguém da vila. Lá mais para o meio, há uma explosão e outra pila decepada volta a ficar pendurada nas pás de uma ventoínha de tecto, que roda lentamente. Decididamente, não é o que estavamos à espera.
Na vila moçambicana imaginária de Tizangara, no período pós-guerra civil, soldados da ONU andam a rebentar misteriosamente, deixando apenas como vestígios os seus capacetes e... a pila. Massimo Risi (Carlo D'Ursi, um claro erro de casting) é um Capacete Azul italiano, que fala português com um sotaque ridículo, que é destacado para averiguar o caso, mas que se vai enlear nos mitos e lendas daquela terra e país.
O Último Voo Do Flamingo é um filme de um realismo mágico, adaptado do romance homónimo de Mia Couto, que faz lembrar O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores. Aliás, este filme está para Moçambique assim como Apichatpong Weerasethakul está para a Tailândia. Contudo, João Ribeiro é uma versão amadora do realizador tailandês, que não consegue fazer com que o seu filme se pareça mais do que um trabalho de escola.
O Último Voo Do Flamingo tem uma noção de cinema de escala televisiva, que se limita a colar episódios com uam displicência que leva a uma total insignificância. E por muito que gostemos da ideia daquela ideia de thriller policial em territórios irreais - uma velha no corpo de jovem (Cláudia Semedo em mais um erro de casting), casais apaixonados que levitam, feitiços de amor e explosões misteriosas que nos fazem lembrar o mundo mágico chinês de As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim -, não há como aguentar sem fastio a maior parte daquilo que o filme chama de argumento.
Melhor a ideia do que a concretização; mas para isso já tínhamos o livro, não? Vale a boa vontade de todos os envolvidos (eu incluído) para justificar o Cheeseburger.
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9:47 AM |
Domingo, Janeiro 08, 2012
TCN BLOG AWARDS 2011:
E não é que o Royale With Cheese ganhou! Ganhou uma hamburga, um Happy Meal para ser mais exacto (com palitos de cenoura porque acharam que não devia comer tantos fritos), referente ao prémio para o melhor blog com nome de hamburga. Foi apenas um dos prémios parvos que foram distribuídos durante a cerimónia da segunda edição dos TCN Blog Awards, promovidos pelo Cinema Notebook, que decorreram ontem na acolhedora sala do Teatro Turim, numa festa bastante divertida, cheia de caras conhecidas, curtas metragens e, inesperadamente, nem uma pinga do tenso e frio ambiente que se esperava[sic]. Quanto ao prémio a sério, para o qual este imodesto tasco estava nomeado - o de melhor blog individual - ficou nas mãos do Keyzer Soze's Place. E muito justamente, digo eu. Nas outras categorias, o blogue de televisão TVDependente venceu em quatro das cinco categorias a que estava nomeado (Melhor Artigo, Melhor Crítica, Melhor Blogue Colectivo e Melhor Blogger). O Blockbusters venceu como Melhor Novo Blogue, o Split Screen o prémio de Melhor Iniciativa e a Empire Magazine foi considerada a Melhor Revista de Cinema do ano. A blogosfera cinematográfica ontem esteve de parabéns. E quem não foi, além de ter perdido uma excelente tarde, é um ovo podre.
Os Mamonas Assassinas foram um cometa que riscou o céu da música na década de 90. à sua forma, encarnaram toda a angústia juvenil da adolescência brasileira (e portuguesa), servindo de porta-voz a toda uma geração. Salvo o excesso, os Mamonas Assassinas foram os Nirvana do Brasil, os Nirvana do rock brega. E como todos os fenómenos, eclipsaram-se precocemete, quando estavam no topo da montanha, num acidente áereo.
Agora, 15 anos depois, eis o documentário que já fazia falta. Mamonas Pra Sempre relata a história da banda desde o tempo em que se chamavam Utopia, um grupo rock de merda, até à sua morte. Para isso recorre a algumas imagens de arquivo e a entrevistas a muitos dos intervenientes directos desta história, como o manager do grupo, o produtor ou alguns familiares.
No entanto, sem querer duvidar da boa intenção do realizador(?), Cláudio Kahns, Mamonas Pra Sempre é um atentado à memória da banda. Kahns tinha as pessoas certas para entrevistar, mas não consegue montar um filme que não pareça mais do que um trabalho do secundário. Além disso, nem um simples trabalho de "cabeças falates" consegue fazer, já que é normal os testemunhos serem interrompidos por coisas que entram no plano ou os entrevistados distrairem-se com outras coisas que nada têm a ver com o documentário.
Tirando as imagens de arquivo interessantes que repesca ao baú das recordações, muitas delas inéditas (os tempos dos Utopia, algumas actuações iniciais ou o concerto de consagração em Guarulhos, sua terra natal, em que esgotaram o auditório local e esfregaram o que alcançaram na cara de todos os que os rebaixaram), Kahns não tinha muito mais do que usar. No entanto, decidiu inventar e ser engraçad, numa afronta total ao bom gosto. Talvez numa tentativa triste de emular o espírito de irreverência da banda, o realizador brasileiro enche o filme de animações em flash, dignas de um Samuel Massas, um Puta da Loucura, um Tá Bonito ou um Ai Nanas - rock parolo da internet que agregam coisas sem piada, sublinhadas por expressões parvas, e os mails em cadeia que recebemos dos nossos tios solteiros com powerpoints com sons de peidos. Tudo explicado sobre esta fina arte de humor aqui. Mamonas Pra Sempre não é digno do legado da banda, que não mecereciam este Happy Meal associado ao seu nome.
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10:17 AM |
Quinta-feira, Janeiro 05, 2012
O RITUAL:
Título: The Rite Realizador: Mikael Håfström Ano: 2011
Os filmes de exorcismos são um dos sub-géneros do terror mais repetitivos de todos. Começam invariavelmente por garantir que são baseados em factos verídicos e depois não conseguem escapar aos clichés das miúdas possuídas (por que são sempre raparigas possuídas?), das sopas de ervilhas e das ameaças com crucifixos.
O Ritual consegue, em parte, contornar esta armadilha, com uma abordagem diferente ao género. Desta vez, o que temos é O Exorcista, mas do ponto de vosta do padre. E logo um com problemas de vocação. Colin O'Donoghue apenas foi para o seminário para escapar ao seu destino na casa mortuária do pai, mas acaba no Vaticano a estudar exorcismos.
O realizador Mikael Håfström aproveita a paisagem romana para tirar meia dúzia de postais de férias cheios de pinta, enquanto ilustra a demanda de O'Donoghue pela sua fé. Pelo meio, enxerta uns flashbacks de um qualquer trauma de infância que segura a história com cola uhu e, no final, para tentar salvar a coisa, aposta tudo em Anthony Hopkins.
Hopkins é um senhor, mas não faz milgares. Mesmo que faça de padre. E especialmente se aparece na pior parte do filme, aquele em que começam os exorcismos à séria e, consequentemente, os lugares comuns. Além disso, parece que se engana ao recorrer a alguns tiques de vampiragem, talvez ainda sob a influência da sua convivência com Gary Oldman, em Drácula De Bram Stoker.
No fim, tudo acaba em bem e com todos felizes da vida. Até o sol brilha no Vaticano, ao som de violinos, e Colin O'Donoghue só não saca a miúda (a brasileira Alice Braga) por causa do celibato. Um Double Cheeseburger um poucochinho chocho.
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9:19 AM |
Terça-feira, Janeiro 03, 2012
O DEUS DA CARNIFICA:
Título: Carnage Realizador: Roman Polanski Ano: 2011
Depois de ter sido condenado a prisão domiciliária pelas autoridades iranianas, Jafar Panahi realizou Isto Não É Um Filme confinado às quatro paredes da sua sala. Mais ou menos inconsciente, aconteceu o mesmo a Roman Polanski. Depois de ter estado em prisão domiciliária, o primeiro trabalho do realizador polaco foi O Deus Da Carnificina, um filme de apenas um cenário - uma sala de estar de um apartamento.
O Deus Da Carnificina é um filme de actores. Aliás, de dois casais: o de Cristoph Waltz e Kate Winslet e o de John C. Reilly e Jodie Foster. O filho do primeiro casal agredira o do segundo com uma vara e os pais juntaram-se para resolver civilizadamente a situação. E o que parecia ser uma aitude extremamente sensata, descamba numa discussão de proporções épicas, que não poupa nada nem ninguém.
Um filme feito de actores e, sobretudo, das suas palavras soa, à partida, distante do trabalho habitual de Polanski. Contudo, a forma inteligente como mergulha na psique humana não é assim território tão estranho ao polaco quanto isso. Extremamente bem escrito - o filme parte da peça homónima de Yasmina Reza -, O Deus Da Carnificina dá uma cambalhota de 180 graus no argumento em pouco mais de hora e meia com uma racionalidade desarmante que mete a nu a fragilidade e a hipocrisia do ser humano.
Polanski não se regista ao cinema falado do registo teatral e impõe uma dinâmica ao filme que não o impede de cair numa rigidez forma. E, tematicamente falando, aproxima-se nas crónicas de costumes subversivas de Buñuel; a forma como os seus personagens vão perdendo os seus vestígios de humanidade confinados naquele apartamento remete-nos logo para O Anjo Exterminador, em que o mesmo acontece a uma multidão numa sala de jantar. Se bem que a comparação mais constante tem sido com A Corda. Percebe-se a ideia, mas não é a mesma coisa - O Deus Da Carnificina tem como principal mérito os seus actores (especialmente Cristoph Waltz e Jodie Foster) e, obviamente, o argumento de Yasmina Reza. Um McBacon diferente na filmografia de Roman Polanski.
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9:24 AM |
Segunda-feira, Janeiro 02, 2012
TOP 8:
Ano novo, vida nova, post antigo. Os mais atentos já devem ter reparado que faltava aqui a lista dos melhores filmes do ano que agora findou. Eis então o TOP 8 DOS MELHORES FILMES DE 2011, aquele momento em que repetimos os títulos que também figuram na maioria das listas de outras publicações. Mas a nossa é melhor, claro.
8º Lugar Planeta Dos Macacos: A Origem Simultaneamente prequela e reboot ao franchising, Planeta Dos Macacos: A Origem é o que melhor aconteceu à saga desde o filme original. Filme quase autónomo, introduz-nos ao chimpanzé Caesar (uma das personagens de 2011) e não se mantém refém do CGI, num redondinho blockbuster sci-fi. ..::crítica opinativa aqui::..
7º Lugar Blue Valentine - Só Tu E Eu Eis uma história de amor pouco usual, que retrata o que se passa aos casais após o e viveram felizes para sempre. Normalmente, é isto mesmo: saturação, problemas de comunicação, discussão, ciúme, etcetera. É ainda um filme para provar que Ryan Gosling e Michelle Williams são actores à séria. ..::crítica opinativa aqui::..
6º Lugar Rubber - Pneu Um pneu(!) ganha vida de forma misteriosa e começa a matar indiscriminadamente com poderes telecinéticos(!!). Aparentemente, estamos em território de xungaria grossa. Verdade e falso. Rubber - Pneu é um série-b na boa tradição exploitation, mas ao mesmo tempo insere à descarada uma dimensão metafísica que se desconstrói a si mesmo para questionar todo o poder da ficção. Como se os Monty Pithons tivessem realizado o Massacre Do Texas. ..::crítica opinativa aqui::..
5º Lugar Valhalla Rising - Destino De Sangue Dois anos depois - e contrariando qualquer expectativa ou lógica de mercado - Valhalla Rising - Destino De Sangue chegou às salas portuguesas. Veio de forma envergonhada, mas deixou marcas aqueles que se aventuraram. Em ano de A Árvore Da Vida, foi Nicolas Winding Refn a mostrar o que é cinema contemplativo e pós-moderno. E ainda introduziu o realizador dinamarquês ao público português, já que Bronson não passou (infelizmente) por cá. ..::crítica opinativa aqui::..
4º Lugar Super 8 Com Steven Spielberg escarrapachado em todo o lado, Super 8 recupera a nostalgia dos filmes de aventuras juvenis dos anos 80 (conferir Os Goonies), num monster movie pouco ortodoxo. No seu primeiro filme a partir de material original, J.J. Abrams lembra-nos do poder lúdico e escapista das imagens, provando ser um nerd de bom gosto educado pela televisão e pela cultura pop. ..::crítica opinativa aqui::..
3º Lugar Drive - Risco Duplo Nicolas Winding Refn foi o realizador de 2011. Acho que, pela primeira vez na história deste imodesto tasco cinematográfico, um realizador conseguiu bisar na lista dos melhores filmes do ano. Mas mesmo que Valhalla Rising - Destino De Sangue não tivesse estreado por cá, iria tecer loas ao dinamarquês por este Drive - Risco Duplo, um thriller urbano e estilizado (Quentin Tarantino goes Michael Mann), com um Ryan Gosling em papel icónico - e Gosling bisa também neste top, assumindo-se como o actor do ano. ..::crítica opinativa aqui::..
2º Lugar Enterrado No ano em que nos tentaram convencer que 127 Horas era o filme mais claustrofóbico de sempre, um espanhol desconhecido mostrou-nos como se faz. Um actor, um caixão e nada mais. Não há cá necessidade de recorrer a flashbacks para aguentar o filme até ao fim nem outras artimanhas que tal. Apenas tensão, falta de ar, breu e um dos filmes mais angustiantes de todo o sempre. ..::crítica opinativa aqui::..
1º Lugar Cisne Negro Apesar da qualidade superior dos outros filmes deste top, Cisne Negro ganha à distância, com uma vantagem enorme. Não é que os outros sejam menos bons; este é que é mesmo brutal, um daqueles que se transforma automaticamente em clássico. Sexualidade reprimida, lesbianice entre Natalie Portman e Mila Kunis, Portman a assumir-se como actriz total, ballet, doppelgänger e Roman Polanski inicial a pairar aos cantos. ..::crítica opinativa aqui::..
Depois de dois filmes em piloto automático, onde se limitou a seguir as suas próprias pegadas, Pedro Almodóvar convocou de novo Antonio Banderas, o seu "muso" de sempre (ele que é um realizador de mulheres), para algo completamente novo. Nesta quinta colaboração juntos, Almodóvar e Banderas jogaram-se ao thriller, com um cirurgião que tenta criar uma pele mais resistente que a nossa, utilizando uma cobaia humana (Elena Anaya) com quem mantém uma estranha e obcecada relação.
Mas mais do que o tema, é o estilo de A Pele Onde Eu Vivo que marca a diferença da restante filmografia do realizador. Almodóvar sempre captou as gañas espanholas nos seus trabalhos (Almodóvar está para Espanha assim como Kusturica está para a Sérvia (e para todos os Balcãs, praticamente) ou Kurosawa para o Japão), com um cinema exuberante, mas aqui aparece estranhamente formal e gélido. Se bem que depois insira alguns maneirismos seus, como o vilador-mascarado-de-homem-tigre, por exemplo, que se não fosse uma parte tão fraquinha, podia ser uma das cenas-chave do seu portfolio.
A Pele Onde Eu Vivo é um filme desiquilibrado. Olhamos para a história (e sobretudo as imagens promocionais) e lembramo-nos inevitavelmente de Os Olhos Sem Rosto; sentimos logo um arrepio perturbador a percorrer-nos a espinha. Mas Almodóvar nunca consegue encontrar o tom correcto para o seu filme, que por vezes até parece não corresponder à história que estamos a ver. A principal razão é um fio narrativo demasiado complicado (há flashbacks a mais, analepses inesperadas a meio e saltos de volta ao presente) e, consequentemente, personagens a mais que nada acrescentam à história (o tal homem-tigre, por exemplo), que nos desligam do filme. E com um registo tão asséptico, esse despegamento acontece facilmente.
No entanto, tudo muda a meio do filme. Quando já não davamos nada por ele, Almodóvar entra finalmente nos eixos e começa a contar a história que realmente interessa. E é uma história do camandro. Talvez por ser mais familiar ao seu trabalho, Almodóvar safa-se melhor nesta segunda metade. Lembramo-nos, por exemplo, de Ata-me! (o síndrome de Estocolmo) e de Matador (o desejo, sempre o desejo), ambos com Antonio Banderas. Em A Pele Onde Eu Vivo, Pedro Almodóvar dá assim meio filme de avanço, mas ainda consegue recuperar em esforço o McChicken. Agora o que fica claro é o seguinte: esta não era uma guitarra para as unhas do espanhol; como alguém já disse, esta história nas mãos de gente como Cronemberg ou Dario Argento teria dado um milagre.
Posted by: dermot @
9:20 PM |
COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga